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Mais de dez argumentos para deletar as redes sociais?

Quando Jaron Lanier lançou o livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais”, o ano era 2018 e o debate sobre o bem e o mal que das redes já existia, mas muitos tópicos escritos ainda não haviam sido levantados pela mídia ou pelas próprias plataformas. No livro, Lanier levanta que as redes sociais que não nos fazem felizes, possuem pouco controle interno (discurso de ódio, fake news, por exemplo), não nos entregam tudo que é publicado (o algoritmo cria regras próprias) e muito do que fazemos ali é uma forma de grandes corporações obterem lucro por meio de anúncios.

De lá para cá, o debate aumentou. E deletar o Facebook ou até o Instagram, que era algo quase impossível para muitas pessoas, se tornou uma opção cada vez mais próxima. Por serem as redes mais usadas no dia a dia, junto ao WhatsApp, ver essa mudança de comportamento é muito importante. Em menos de dois anos, saímos da visão, de muitas pessoas, de “não dá para viver em tal rede social” para “não uso mais, vou deletar”.

Para as marcas, diversificar seus investimentos em mídia na internet se tornou fundamental, pois dependendo da sua área, outras mídias são muito mais lucrativas. Isso depende do mercado, mas ouvir dos clientes que eles “gostariam de voltar a investir em buscadores e experimentar novas redes”, é uma evolução que diminui a dependência de uma só fonte. No Jornalismo, pude acompanhar sites e revistas que voltaram a investir em SEO e não mais nas redes sociais. O “jogo” do algoritmo deixou os próprios publicadores confusos. Por mais que realizassem as recomendações de cada plataforma, ainda não conseguiam resultados desejados. E diversificaram os seus investimentos. Alguns até abandonaram certas redes sociais. A mudança de mídia paga também faz com que as próprias redes mudem suas regras, pois elas precisam desse investimento para obter seu lucro.

Mas ainda existem muitas limitações, em especial para os usuários: diversos sites, hoje em dia ainda, vincularam suas inscrições e vendas unicamente por redes sociais. E uma só plataforma faz o monopólio e, em especial, limita o comércio e a informação.

Já vi muitos amigos não conseguirem encontrar um link para um evento e também não conseguiram ver informações de um show. Acabamos enviando print screen para que pudessem ver, e foi uma “luta” para que achasse o e-mail de inscrição fora da rede social. Em 2018, eu mesma perdi todo o meu histórico do Spotify – havia esquecido que tinha vinculado com uma minha conta de rede social. Quando criei uma nova, utilizei o e-mail. No final, acabou sendo uma ótima experiência. Recebi novas recomendações, “limpas” do que já tinha escutado, e pude conhecer muitas bandas e podcasts novos.

Seja para as marcas, veículos de mídia ou para os usuários, está tudo, menos fácil. Existem mais de dez argumentos para deletar as redes sociais, de todos os lados. Mas, ao mesmo tempo, nem todos estão preparados para isso. Afinal, quantas ações temos feito para sair desse monopólio? Certas inscrições, cadastros, grupos, existem apenas em redes sociais. Mas o mais importante é: sem usuários, não há produto. Esse poder, sim, está nas mãos da audiência e a preferência deles tem mudado com o botão do “deletar conta”.

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Ted Talk by Jaron Lanier – disponível no Youtube

Capa do livro "Dez Argumentos para vocês deletar agora suas redes sociais"

Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais – Livro por Jaron Lanier

Artigo no blog da Editora Intrínseca

Facebook Explore: nova aba testa mudanças no newsfeed

O Facebook está em fase de testes de uma nova funcionalidade, o Facebook Explore. Com ela, o news feed mudaria a organização do conteúdo. Todas as postagens criadas por páginas seriam movidas ao feed da aba Explore, vista pelos usuários que clicarem nesta aba. Já o news feed principal teria publicações de amigos e posts patrocinados. A pesquisa acontece inicialmente na Eslováquia, Sri Lanka, Sérvia, Bolívia, Guatemala e Camboja.

O impacto da mudança já foi sentido nas maiores páginas destes locais. De acordo com o jornalista Filip Struhárik, as fanpages apresentaram queda nos números, com menor volume pessoas alcançadas e, por consequência, índice  mais baixo de interações (likes, shares e comentários). Até o momento, os usuários tem relatado diversos bugs que incluem a exibição de publicações muito antigas na aba.

Por outro lado, alguns acreditam que os posts dos publishers podem ter maior alcance caso as pessoas utilizem os dois feeds, pois os usuários que acessam a função estariam, de fato, interessados no conteúdo jornalístico e de entretenimento. Esse movimento já aconteceu no Snapchat, cuja aba de Explorar foi uma das funcionalidades mais utilizadas e úteis para a mídia. Especialmente em 2015, o Snap teve conteúdo do BuzzFeed, Wired e Allure publicado de forma interativa.

para as marcas, o novo feed com o Facebook Explore exigiria o uso do algoritmo da rede social de forma diferente. Caso seja implementado, os posts patrocinados apareceriam  ainda com mais frequência no feed principal. Já o conteúdo orgânico pode demandar o uso de novas estratégias para a distribuição de conteúdo. A observação dos dados em cada caso se tornaria ainda mais necessária, com o objetivo de entender como criar o conteúdo de forma mais efetiva para o público-alvo. É o que já tem ocorrido com o alcance das fanpages atualmente, que aproveitam a análise de dados para otimizar o seu conteúdo.

O anúncio oficial sobre o Facebook Explore explica que o objetivo atual é estudar a preferência das pessoas. O teste viria da experiência e uma necessidade da própria audiência em buscar conteúdos novos.  Por enquanto não existiria um plano de mudar o news feed de todas as pessoas, mas sim observar resultados. A rede estaria identificando se as pessoas preferem ver as publicações separadas entre o espaço pessoal e o público. Segundo o Facebook, o Explore dos seis países em teste mostra conteúdos completamente novos, enquanto no resto do mundo funciona como um feed complementar de artigos populares, vídeos e fotos personalizados com base nos interesses pessoais influenciados pelo algoritmo.

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