Lo-fi Girl, mais que meme: Lo-fi Music e merchandising

Mais que um meme de uma garota ouvindo música e um gato na janela, a Lo-fi Girl tem grande sucesso nas redes. E, ainda, aumentou na pandemia, a partir de 2020, quando não parou de crescer.

Em janeiro de 2022, o canal Lo-fi Hip Hop já contava com mais de 9.4 milhões de seguidores no seu canal oficial, 800 mil  de seguidores no Instagram, e podemos encontrar 100 mil pessoas online ouvindo canais de lo-fi de forma simultânea. E ele não é o único canal com altos números.

O ChilledCow, por exemplo, produziu um dos vídeos mais longos no streaming, com mais de 13 mil horas e 218 milhões de visualizações. Apesar de ser um estilo popularizado ter sido popularizado nos anos 1980, as gerações millenial e Z são os maiores ouvintes.

Como o Lo-Fi faz a sua monetização

Apesar do sucesso nas redes sociais e nos canais de vídeo, as transmissões ao vivo não estão gerando royalties, mas sim os selos criados por cada canal: isso pq as transmissões não geram receitas para os artistas e compositores cujas músicas tocam. Também não estão gerando muita receita de publicidade para si mesmas. 

Porém, ao criar os seus próprios selos, monetizam em outros serviços, como o Spotify. Estima-se que Chillhop Music tenha obtido entre US $ 5 milhões e US $ 8 milhões de receita apenas do Spotify apenas em 2019, antes mesmo do sucesso na pandemia.

A Lo-Fi Girl também lançou sua loja de merchandising, a Lo-fi Girl Shop, com camisetas, pôsteres, adesivos e decoração para casa, projetados e vendidos por artistas independentes.

A música Lo-Fi, millennials e geração Z

A música lo-fi não é novidade no mundo da música. Existe, pelo menos, desde os anos 1980. Lo-fi significa low fidelity, a baixa fidelidade, com instrumentos musicais mais baratos e sem contar com o apoio de grandes produções. Eram músicas criadas em estúdios minimalistas e o lo-fi começou a ser reconhecido como um estilo de música popular na década de 1990, quando passou e chamada de música DIY (Do it Yourself). O termo foi popularizado nos anos 1980 pelo DJ William Berger, que tinha um programa de rádio. Apesar de ser antigo comparado às atuais gerações que utilizam streaming, o som virou um dos favoritos dos millennials e da geração Z.

Memes e versões da Lo-Fi Girl

A imagem da Garota Lo-fi nem sempre foi a capa que é utilizada hoje. A personagem original foi substituída em agosto de 2017 devido a uma provável reclamação de violação de direitos autorais. Desde então, a imagem gerou memes que incluem inverter a posição do gato pela garota e versões de outros países, como a Lo-Fi Girl Brazil.

Lo-fi Girl Reversed. Imagem: Know your Meme
Lo-fi Girl Reversed. Imagem: Know your Meme

Nacionalidades: Brasil, Austrália, Iceland, Marrocos, Escócia e Tóquio, entre outras

Lo-fi Girl Brazil. Imagem: Reprodução/Youtube
Lo-fi Girl Brazil. Imagem: Reprodução/Youtube
Lo-fi Girl Australia. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Australia. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Iceland. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Iceland. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Morocco. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Morocco. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Scotland; Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Scotland; Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Tokyo. Imagem: Reprodução/Bored Panda
Lo-fi Girl Tokyo. Imagem: Reprodução/Bored Panda

Ketnipz: o feijão da gentileza

Ketnipz. Imagem: Reprodução Instagram Ketnipz
Ketnipz. Imagem: Reprodução Instagram Ketnipz

 

Talvez você já tenha visto esse bichinho sem forma definida e que traz alguma gentileza no seu feed. O perfil de @Ketnipz é a casa oficial do “bean” (um personagem “feijão”) com as dores e alegrias do dia a dia. O criador, Harry Hembley, é despretensioso na sua criação. O nome não tem um significado exato, foi inventado, este feijãozinho humano não tem gênero e é uma massa que se molda a cada história. O que não muda é a mensagem: o bean traz mensagens de gentileza. 

Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz
Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz

 

 “No momento, há muita negatividade e medo no mundo”, disse Hambley ao Mashable, “já que muitas coisas parecem estar mudando – embora seja importante se sentir inseguro às vezes, também é importante lembrar o lado gentil da humanidade, e não me sentir tão sozinho. Se eu puder divulgar qualquer tipo de mensagem por meio do meu trabalho agora, quero que seja positiva”, contou em entrevista.

De imagem frequente, um meme, ao merchandising

Mochila Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz
Mochila Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz

 

O feijãozinho humano surgiu em junho de 2016, quando Harry Hambley colocou seu primeiro desenho animado no Instagram. E tinha apenas 18 anos quando virou sensação na internet, em 2018, quando atingiu 350 mil seguidores. O sucesso do bean foi rápido. Depois de apenas um ano e seis meses de ter se tornado popular, criou a sua própria marca de roupas e criou o seu sticker “kindness” disponível no Instagram Stories. @ketnipz vende roupas com a estampa de um bean (um feijão), com produtos como moletons, camisetas e conjuntos.

Moletom Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz
Moletom Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz

 

O cartoon Ketnipz continua a promover gentileza e os altos e baixos do cotidiano com bom humor. No seu perfil do Instagram, mostra inclusive tatuagens de fãs que foram feitas em sua homenagem.

Tatuagem Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz
Tatuagem Ketnipz. Imagem: Reprodução/Instagram Ketnipz

Mais sobre Ketnipz

“O nome não significa muito, exceto que parece divertido e é muito diferente dos títulos típicos”, disse Hambley em entrevista. “É propositalmente ambíguo, de modo que não fica associado a nada em particular – o que significa que posso continuar a usá-lo quando decidir explorar diferentes campos criativos ou ideias.” “Estou realmente tentando explorar uma estética muito simples, mas calorosa”, ele nos disse. “Algo limpo o suficiente para comunicar uma ideia, mas aconchegante o suficiente para ainda ser convidativo.” 

“O conceito por trás do Bean é que ele é um personagem muito neutro e gentil, que passa pelas mesmas lutas do dia-a-dia que muitos de nós passamos”, disse ele ao Mashable. “Não é um ‘feijão’, pois está definitivamente mais perto de ser humano, mas não tem gênero e tem curvas, como um feijão. Acho que você poderia chamá-lo de Feijão Humano.” Hambley cita Moomintroll da série de livros Moomin e Lemongrab de Adventure Time como as principais influências de estilo para o visual de Bean. Inspirações mais amplas para Hambley incluem as obras de Pendleton Ward (Adventure Time, Bravest Warriors), Regular Show, Spongebob e Over the Garden Wall. “Também adoro os temas dos filmes do Studio Ghibli”, disse-nos ele. “Eles definitivamente me encorajaram a tornar o Bean mais amigável.”

Mas seus quadrinhos não são inequivocamente saudáveis ou felizes. Em particular, suas obras anteriores estão repletas de alusões sombriamente cômicas à emoção negativa e à morte. A isso, Hembley atribui a um momento mais triste de sua vida.

 “Não tenho certeza, mas espero que meu público veja o Bean como um rosto familiar em seu feed e possa se relacionar com qualquer situação em que ele fique preso ou com qualquer mensagem que esteja tentando comunicar” disse em entrevista.

Abaixo o vídeo de reportagem da BBC com Harry Hambley (em inglês).