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TIME Magazine mostra os escândalos do Facebook

A nova edição da Time Magazine (07 de outubro/2021) mostra a foto de Mark Zuckerberg com um aviso de “Deletar Facebook?”. A revista debate como o Facebook atuou na divulgação de fake news distribuídas na plataforma, como o Facebook fez os jovens se sentirem mal em relação aos seus corpos, o cumprimento das leis e questiona se seria este o momento de deletá-lo.

TIME Magazine: capa sobre escândalos do Facebook

Fake News

A mudança no algoritmo do Facebook em 2018, apresentada como uma forma de aumentar as “interações sociais significativas” na plataforma, na verdade teria incentivado publicações polarizadas e inverossímeis. Frances Haugen, ex-funcionária, disse que “O Facebook enganou repetidamente o público sobre o que suas próprias pesquisas revelam sobre a segurança das crianças, a eficácia de seus sistemas de inteligência artificial e seu papel na disseminação de mensagens divisivas e extremas”. 

Crianças e adolescentes

Estudo interno que descobriu que o Instagram fez 32% das adolescentes se sentirem mal com seus corpos. “Não se trata simplesmente de certos usuários de mídia social ficarem zangados ou instáveis, ou sobre um lado se radicalizar contra o outro; trata-se de escolher o Facebook a crescer a todo custo, tornando-se uma empresa de quase um trilhão de dólares ao comprar seus lucros com a nossa segurança”, complementa Haugen. 

A resposta do Facebook

A diretora de comunicações políticas do Facebook, Lena Pietsch, sugeriu que as críticas de Haugen eram inválidas porque ela “trabalhou na empresa por menos de dois anos, não tinha subordinados diretos, nunca compareceu a uma reunião de ponto de decisão com executivos de nível C – e testemunhou mais de seis vezes para não trabalhar no assunto em questão. ”. “Eu estive lá por mais de 6 anos, tive vários subordinados diretos e conduzi muitas reuniões de decisão com executivos de nível C, e acho que as perspectivas compartilhadas sobre a necessidade de regulamentação algorítmica, transparência de pesquisa e supervisão independente são inteiramente válidas para debate ,” escreveu no Twitter. “O público merece melhor.”

O futuro do Facebook

A TIME ainda revela que o Facebook já parece estar reavaliando as decisões, conduzindo análises de reputação de novos produtos para avaliar se a empresa pode ser criticada ou se suas características podem afetar negativamente as crianças. “Qualquer que seja a direção futura do Facebook, está claro que o descontentamento está fermentando internamente. O vazamento de documentos e depoimentos de Haugen já gerou pedidos de regulamentação mais rígida e melhorou a qualidade do debate público sobre a influência da mídia social. Em uma postagem endereçada à equipe do Facebook na quarta-feira, Zuckerberg colocou sobre os legisladores o ônus de atualizar as regulamentações da Internet, particularmente relacionadas a “eleições, conteúdo prejudicial, privacidade e concorrência”. Mas os verdadeiros impulsionadores da mudança podem ser os funcionários atuais e antigos, que têm uma compreensão melhor do funcionamento interno da empresa do que qualquer pessoa – e com maior potencial de prejudicar o negócio.” complementa Eloise Barry / Londres e Chad de Guzman / Hong Kong para a TIME.

Resenha: Dez argumentos para você deletar agora as suas redes sociais

Resenha: Dez argumentos para você deletar agora as suas redes sociais

Livro e Ted Talk fomentaram o debate sobre excluir as redes sociais

Quando Jaron Lanier lançou o livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais”, o ano era 2018 e o debate sobre os efeitos das redes sociais já existia, mas muitos tópicos escritos ainda não haviam sido levantados pela mídia ou pelas próprias plataformas.

No livro, Lanier levanta que as redes sociais que não nos fazem felizes, possuem pouco controle interno (discurso de ódio, fake news, por exemplo), não nos entregam tudo que é publicado (o algoritmo cria regras próprias) e muito do que fazemos ali é uma forma de grandes corporações obterem lucro por meio de anúncios.

Em 2021, o debate sobre deletar as redes aumenta, e há quem já deletou o Facebook ou o WhatsApp

De lá para cá, o debate aumentou. E deletar o Facebook ou até o Instagram, que era algo quase impossível para muitas pessoas, se tornou uma opção cada vez mais próxima. Por serem as redes mais usadas no dia a dia, junto ao WhatsApp, ver essa mudança de comportamento é muito importante. Em menos de três anos, saímos da visão, de muitas pessoas, de “não dá para viver em tal rede social” para “não uso mais, vou deletar”. Justificativas como o monopólio, falta de privacidade e algoritmo que não entrega as publicações têm ganhado ainda mais força.

Para as marcas, o cenário também é desafiador

Para as marcas, diversificar seus investimentos em mídia na internet se tornou fundamental, pois dependendo da sua área, outras mídias são muito mais lucrativas. Isso depende do mercado, mas ouvir dos clientes que eles “gostariam de voltar a investir em buscadores e experimentar novas redes”, é uma evolução que diminui a dependência de uma só fonte.

O Jornalismo também possui questões sobre as redes sociais levantadas por Lanier

No Jornalismo, pude acompanhar sites e revistas que voltaram a investir em SEO e não mais nas redes sociais. O “jogo” do algoritmo deixou os próprios publicadores confusos. Por mais que realizassem as recomendações de cada plataforma, ainda não conseguiam resultados desejados. E diversificaram os seus investimentos. Alguns até abandonaram certas redes sociais. A mudança de mídia paga também faz com que as próprias redes mudem suas regras, pois elas precisam desse investimento para obter seu lucro.

Mas ainda existem muitas limitações, em especial para a forma de atingir os usuários: diversos sites, hoje em dia ainda, vincularam suas inscrições e vendas unicamente por redes sociais. E uma só plataforma faz o monopólio e, em especial, limita o comércio e a informação.

Já vi muitos amigos não conseguirem encontrar um link para um evento e também não conseguiram ver informações de um show. Acabamos enviando print screen para que pudessem ver, e foi uma “luta” para que achasse o e-mail de inscrição fora da rede social. Em 2018, eu mesma perdi todo o meu histórico do Spotify – havia esquecido que tinha vinculado com uma minha conta de rede social. Quando criei uma nova, utilizei o e-mail. No final, acabou sendo uma ótima experiência. Recebi novas recomendações, “limpas” do que já tinha escutado, e pude conhecer muitas bandas e podcasts novos.

Estamos nas redes, mas há como sair?

Seja para as marcas, para os veículos de mídia ou para os usuários, está tudo, menos fácil. Existem mais de dez argumentos para deletar as redes sociais, de todos os lados. Mas, ao mesmo tempo, nem todos estão preparados para isso. Afinal, quantas ações temos feito para sair desse monopólio? Certas inscrições, cadastros, grupos, existem apenas em redes sociais. Mas o mais importante é: sem usuários, não há produto. Esse poder, sim, está nas mãos da audiência e a preferência deles tem mudado com o botão do “deletar conta”.

+ Sobre

Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais – Livro por Jaron Lanier

Artigo no blog da Editora Intrínseca

Ted Talk by Jaron Lanier – disponível no Youtube