5 pontos do sucesso de Olivia Rodrigo: sucesso no Grammy e hit da internet

Olivia Rodrigo levou 3 prêmios no Grammy 2022. Mas o seu sucesso vem desde 2021, e a sua vida foi transformada pela internet. A cantora e compositora de 19 anos fez músicas que grudaram na cabeça dos jovens e gerou nostalgia nos mais velhos.

Listo aqui 5 pontos que contribuíram:

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

Hit chiclete. Para os mais jovens, trouxe o pop-punk de volta, em um som mais diferente do que o pop mais tradicional que costuma tocar (e que tem efeito de grudar nos ouvidos). Seu som também gerou nostalgia nos mais velhos: lembrou Avril Lavigne (Complicated, I’m with you e Sk8ter boy), Blink 182 (What’s my age again e I miss you) e bandas como My Chemical Romance, conquistando os millennials. 

Identificação. As letras são amores e sentimentos universais e também sobre ser adolescente. Escrevendo sobre os sentimentos da sua idade, gerou identificação com o público.

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

Identidade visual. A capa do seu álbum, com adesivos no rosto e a língua para fora, virou filtro de fotos e vídeos nas redes sociais rapidamente. As bijuterias com miçangas coloridas também foram hit e lojas disponibilizaram (e esgotaram) os colares e anéis com a estética de Sour.

Divulgação. Além da estratégia digital bem estruturada, também montou uma ação de lançamento físico em um lava-jato que reproduzia as músicas. Os fãs se encontraram com a cantora fisicamente no dia da estreia. Com isso, foram mais de 60 milhões de reproduções no Spotify apenas no primeiro dia. E a ação física gerou conteúdo gratuito dos fãs, que divulgaram as fotos com a cantora e a experiência Sour.

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

Efeito buzz marketing. Logo virou trend/desafio. Os mais jovens usaram as suas músicas como trilha sonora. E os millennials entraram nas trends com dublagem dos sons de Rodrigo, se perguntando o porquê de terem gostado tanto (a resposta está na nostalgia de pop-punk e emo das músicas que lembram bandas como Paramore).

Dados do sucesso de Olivia Rodrigo

Depois de sair da Disney, em 2016, e começar a criar músicas autorais em 2018, ela logo atingiu o topo das paradas de música em plataformas de música e conquistou grandes posições no ranking mundial de mais tocadas na Billboard.

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

De acordo com o ranking Hits Daily Double, durante o ano de 2021 Olivia Rodrigo conquistou o segundo lugar de mais tocadas nos Estados Unidos com 581 milhões de reproduções em “Drivers License”, ficando atrás apenas de Dua Lipa, com 606 milhões em “Levitating”. “Good 4 You” ficou em terceiro lugar, com 557 milhões de plays. O primeiro semestre de 2021 foi acirrado e o mais representativo, pois foi quando Rodrigo ultrapassou Dua e se firmando como o maior sucesso do período.

A partir do primeiro semestre de 2021, ela também atingiu uma das músicas mais ouvidas do mundo em vários streamings do planeta. Com isso, tornou-se Woman of the Year na Billboard (Mulher do ano).

Os artistas da geração de Olivia Rodrigo conquistaram 60% dos 50 maiores álbuns de 2021, e Olivia disputou espaço com Morgan, Doja Cat, The Kid e Dua Lipa. Todos os mais jovens concorreram por espaço com os veteranos hitmakers Drake, Adele, Justin Bieber e The Weeknd (Daily Hits Double).

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

Sucesso mundial e relação com a internet

Em entrevista para a People, a cantora revelou o estranhamento de ter crescido na internet e como isso se reflete na sua imagem. “É difícil crescer nas mídias sociais. Você vê as partes perfeitas da vida das pessoas e é difícil não comparar sua vida. No entanto, a Geração Z traz mudança positiva, educação e inclusão. Há o bem e o mal em tudo”. 

De acordo com a compositora, as pessoas vêem versões dela, e ela, das pessoas. A comparação muitas vezes é inevitável. Mas ao mesmo tempo, reconhece que a geração Z também pode discutir assuntos como diversidade e inclusão, positivos e importantes para a sociedade atual. 

Olivia Rodrigo conquista prêmios no Grammy e é sucesso nas redes sociais. Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour
Imagem: Divulgação/Olivia Rodrigo no álbum Sour

Disney conquista primeiro lugar da Billboard com música “Não falamos do Bruno”

A canção “Não falamos do Bruno”, do filme Encanto, conquistou o primeiro lugar nas paradas de sucesso da Billboard (Hot 100), ranking do cenário musical. Cantada por todo o elenco de Encanto, ela tem artistas como Carolina Gaitán, Mauro Castillo, Adassa, Rhenzy Feliz, Diane Guerrero e Stephanie Beatriz.

Sucesso inédito em décadas. A Disney não conquistava o primeiro lugar na Billboard desde a música “A Whole New World” em 1993, do filme Alladin, quando ficou uma semana no topo das paradas de todo mundo. O filme foi lançado em 1992 e a composição foi criada por Alan Menken, escrita por Tim Rice e gravada por Peabo Bryson e Regina Belle.

Consumo da Disney, do físico ao digital. O topo das paradas foi uma surpresa para alguns, e não é uma regra que a Disney repetirá esse fenômeno. Por outro lado, músicas do filme Moana e do latino Coco tem aquecido e conquistado o público há alguns anos, e é possível que haja uma nova fase para a Disney, que tem aumentado sua audiência em várias frentes. As músicas e trechos de filmes encontram-se popular em todos os streamings digitais, além das redes sociais. Existem canais e playlists dedicadas às canções Disney, e também os canais oficiais em plataformas musicais (como o Spotify e Deezer). O próprio streaming de filmes o Disney+ também ajuda a potencializar o seu sucesso. A audiência pode ver o filme e ouvir as músicas quantas vezes quiser. Isso faz com que as canções “grudem” ainda mais, especialmente para as crianças. O acesso digital tem potencializado o que já costuma ser popular.

Disney conquista primeiro lugar da Billboard com música “Não falamos do Bruno”
Disney conquista primeiro lugar da Billboard com música “Não falamos do Bruno”

 

Mais sobre a tendência de músicas Disney no topo das paradas

Jason Lipshutz, jornalista da Billboard, comenta sobre o surgimento do fenômeno:

“O fenômeno Encanto já havia começado no final de 2021, mas não havia indicação de que a sua trilha sonora fosse chegar a esse ponto, ou que “We Don’t Talk About Bruno” tivesse chance de superar clássicos da Disney como “Colors of the Wind” e “Let It Go” no ranking Hot 100. No entanto, aqui estamos no início de fevereiro, e a trilha sonora de Encanto e “Bruno” estão no topo da Billboard 200 e Hot 100, respectivamente, com um tipo de crossover filme-música praticamente inédito”.

Leila Cobom, também jornalista da Billboard, cita o “aquecimento” da audiência com o filme Coco:

“O público está mais aberto do que acreditamos do que foi testado com Coco, o belo filme de animação com tema mexicano de sucesso. Acho que “Bruno” teria se saído bem de qualquer maneira, mas o fato de ser uma batida latina ajudou a torná-la mais presente no ambiente de hoje.”

Para o futuro, os especialistas de música preveem que a tendência é aumentar os musicais “na boca do povo”.

 “Agora que Encanto demonstrou que a Disney marcou um fenômeno da cultura pop em seu serviço de streaming Disney+, eu esperaria uma saturação mais pesada de musicais animados com o mesmo tipo de blitz promocional – talvez com uma cadência semelhante à que vimos na década de 1990, quando todo verão apresentava um novo musical animado da Disney no multiplex. O fato de Encanto poder ser transmitido pelos usuários do Disney+ sempre que quiserem, quantas vezes quiserem, torna ainda mais fácil para os espectadores (leia-se: crianças) aprender as músicas e transmiti-las repetidamente; com certeza, nem todo musical animado pode ostentar músicas originais de Lin-Manuel Miranda, mas não há razão para a Disney não dar o maior número possível de golpes de bastão e recriar o efeito Encanto”, acrescenta Jason Lipshutz.