Running Up That Hill retorna às paradas após cena em Stranger Things

A música “Running up that hill”, da cantora Kate Bush, foi lançada em 1985. Após ir ao ar na cena de Stranger Things em 2022, teve aumento de streamings nas plataformas digitais de e atingiu o topo nas paradas de sucesso. No começo de junho, “Running up that hill” já havia atingido o segundo lugar nos charts globais do Spotify.

A cena de Max em Stranger Things

“Running up that hill” aparece em Stranger Things no episódio 4 da quarta temporada. É a canção favorita da personagem Max (Sadie Sink) e acompanha a trajetória dela no mundo invertido. Seus amigos colocam no fone quando Max começa a levitar.

A canção de Kate Bush foi repetida de forma constante, lembrando um pouco o que aconteceu com outra música: “Should I Stay or Should I Go?” do The Clash, na primeira temporada de Stranger Things. Enquanto o personagem Will estava no mundo invertido, ele cantava o refrão “Should I Stay or Should I Go”. Ela estava na playlist que o irmão montou para ele em uma fita k-7.

Dados nos charts

A música “Running up that hill”, da cantora Kate Bush, foi lançada em 1985. Após ir ao ar na cena de Stranger Things em 2022, teve aumento de streamings nas plataformas digitais de e atingiu o topo nas paradas de sucesso. Imagem: Reprodução/Youtube Kate Bush.
A música “Running up that hill”, da cantora Kate Bush, foi lançada em 1985. Após ir ao ar na cena de Stranger Things em 2022, teve aumento de streamings nas plataformas digitais de e atingiu o topo nas paradas de sucesso. Imagem: Reprodução/Youtube Kate Bush.

Após o lançamento do episódio de Max, “Running up that hill” voltou ao topo das paradas de sucesso. Alguns dados sobre o ressurgimento:

Nos charts: No consumo geral de áudio, “Running Up That Hill” teve seu maior aumento entre segunda e quarta-feira, por dados do Luminate, saltando de 12.000 streams sob demanda no domingo para quase 34.000 músicas equivalentes a stream na quarta-feira (1º de junho). Comparado com a semana anterior, quando a música registrada toca nas centenas de streams, representou um salto de mais de 8.000%. 

No Spotify: aumento de 8.700% nas transmissões globais. Aumento de mais de 9.900% nos streams do Spotify nos EUA e um aumento de mais de 1.600% nos streams globais do catálogo de Kate Bush.

Youtube: O vídeo teve o maior aumento, registrando um aumento de quase 15.000% em relação à semana anterior.

No Google, mais de 5000% de buscas, atingindo o aumento repentino (o chamado “breakout”).

No Apple Music: os streams globais da música aumentaram mais de 5.400% no fim de semana, em comparação com os mesmos três dias de 2021. Em 30 de maio, a música teve quase 100 vezes o número de reproduções no mesmo dia de 2021. No dia 03/06, era o número 2 no gráfico global do Apple Music Daily Top 100 e o número 3 no Apple Music Daily Top 100 USA.

No Shazam: em 29/06 atingiu o primeiro lugar semanal. Em 03 de junho, tornou-se a número 1 no top 200 global do Shazam e no top 200 dos EUA.

Pandora: aumento de 231,45% nos fluxos da semana anterior ao episódio e crescimento de 224,2% nas curtidas na plataforma.

O Airplay também teve um aumento de quase 330%, já que o público da música passou de 41.000 para mais de 422.000 em uma semana.

Com dados da Variety, Google, Spotify Global e demais plataformas de áudio, coletadas em 03/06/22.

Gravadoras em tempos de virais: de Halsey a Adele

Produtoras e gravadoras estariam pedindo vídeos virais para lançar músicas de artistas, especialmente no Tik Tok.

Nessa semana, a cantora Halsey contou que a sua gravadora, Capitol Records, impediria que ela lançasse uma música inédita caso não obtivesse sucesso “viral no Tik Tok” . Ela logo recorreu aos seus perfis para pedir engajamento e aumentar os seus números:

Cantora Halsey grava vídeo contando que sua gravadora pediu virais no Tik Tok para liberar nova música. Segundo ela, haveria pressão de fazer músicas “Tik Tok Friendly” (amigáveis no Tik Tok) para garantir gravação e divulgação. Imagem: reprodução/Tik Tok.
Cantora Halsey grava vídeo contando que sua gravadora pediu virais no Tik Tok para liberar nova música. Segundo ela, haveria pressão de fazer músicas “Tik Tok Friendly” (amigáveis no Tik Tok) para garantir gravação e divulgação. Imagem: reprodução/Tik Tok.

“Basicamente, eu tenho uma música que amo e que quero lançar o mais rápido que puder, mas a minha gravadora não deixa. Estou nessa indústria há oito anos e vendi mais de 165 milhões de discos e minha gravadora está dizendo que não posso lançar a menos que eles possam fingir um momento viral no TikTok”. “Tudo é marketing e eles estão fazendo isso com basicamente todos os artistas hoje em dia. Eu só quero lançar música, cara. E eu mereço tbh (to be honest = para ser honesta). Estou cansada”. 

FKA Twigs foi uma das cantoras que afirmou ter o mesmo tipo de pedido. “É verdade que todas as gravadoras pedem TikToks e eu fui repreendida hoje por não me esforçar o suficiente”. 

“É verdade que todas as gravadoras pedem por Tik Toks e me falaram hoje que eu não tenho dedicado esforço suficiente”. FKA Twigs grava vídeo contando da pressão que ela sofreria pelo mercado fonográfico para gravar vídeose viralizar para divulgar o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.
“É verdade que todas as gravadoras pedem por Tik Toks e me falaram hoje que eu não tenho dedicado esforço suficiente”. FKA Twigs grava vídeo contando da pressão que ela sofreria pelo mercado fonográfico para gravar vídeose viralizar para divulgar o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Charli XCX também apontou que as sua gravadora está pedindo virais na internet. 

“Quando a gravadora me pede para fazer um Tik Tok pela oitava vez na semana”. Charli XCX grava vídeo falando como se sente com os pedidos para gravar vídeos divulgando o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.
“Quando a gravadora me pede para fazer um Tik Tok pela oitava vez na semana”. Charli XCX grava vídeo falando como se sente com os pedidos para gravar vídeos divulgando o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Ed Sheeran fez um Tik Tok sobre a questão:

“Quando você supostamente deveria estar fazendo vídeos promocionais da sua música, mas gostaria mesmo de um salgadinho. E você decide que comer um snack pode ser uma divulgação do seu som pois todo mundo adora salgadinhos". Imagem: reprodução/Tik Tok.
“Quando você supostamente deveria estar fazendo vídeos promocionais da sua música, mas gostaria mesmo de um salgadinho. E você decide que comer um snack pode ser uma divulgação do seu som pois todo mundo adora salgadinhos”. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Resposta da gravadora à Halsey

No caso da Halsey, a gravadora se manifestou. “Nossa crença em Halsey como uma artista singular e importante é total e inabalável. Mal podemos esperar para que o mundo ouça sua nova e brilhante e música“, disseram os representantes da Capitol Records e Astralwerks.

Independente do que acontece, fica a questão: será que agora as músicas começam nas redes sociais, apenas em formatos de 30 segundos ou um pouco mais? Fato é que, antes, as músicas aconteciam no rádio e na TV, agora ganham as redes. 

Música viral: case para alguns, não todos

Se por um lado, o lançamento digital pode diminuir a escolha de artistas, utilizar vídeos curtos como forma de divulgação já aconteceu de forma positiva para alguns, como o grupo  Jovem Dionisio e o seu sucesso “Acorda Pedrinho” e tá o desafio de “Envolver”, da Anitta. É um contraponto para diversos artistas americanos, e algo que não funciona com todas as músicas e artistas. 

Contraponto: canções fora dos virais

Há quem discorde desse modo de operação que nasce e tem como bússola o sucesso no digital. A cantora Adele já se manifestou sobre como e para quem faz canções: “Se todo mundo está fazendo música para o TikTok, quem está fazendo a música para a minha geração? Quem está fazendo a música para os meus pares? Eu vou fazer esse trabalho com prazer”, contou em entrevista para a Apple Music.

Perdas e ganhos

Se, por um lado, as plataformas digitais proporcionam músicas novas e descobertas ao mundo todo, nem todas se adequam ao público tik toker. Assim como em qualquer rede, existe um público e um jeito de se consumir, e nem todo som se encaixa. Artistas alternativos, de gêneros indefinidos, ou fora do circuito de coreografias podem não entrar na onda por falta de afinidade. E, para eles existem outros espaços, como o nicho do bandcamp, vídeos longos no Youtube ou streaming de alta qualidade sonora no Tidal. 

A rede social é uma vitrine, mas consumir digitalmente uma canção nem sempre é relacionado a consumir um show ou comprar um álbum. Também não garante qualidade técnica musical, e muito menos originalidade. Se é o viral que se torna orientação para definir o que obterá investimento financeiro, vale pensar se as escolhas baseadas em métricas digitais correspondem à verdadeira geração de valor musical. A questão que fica, além do cuidado técnico, é que nem sempre virais garantem resultados para as gravadoras fora da rede. Resta saber como esse cenário evolui e as escolhas de cada artista. Para o pop, a bússola digital aparece cada vez mais presente.