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Twitter e Snapchat continuam a crescer e batem recordes

Em meio a várias discussões sobre o rumo das redes sociais, duas notícias mostram que os pioneiros Twitter e o Snapchat não apenas estão no mercado, mas se reinventam e possuem audiências. Sair da perspectiva de uma só rede social é importante para ver que não existe apenas um formato (texto/vídeo/etc) e que não há uma só uma opção para investir. A audiência depende do seu nicho e estratégia. Ainda existe espaço para o microblogging (que também possui vídeos) e para a inteligência artificial das lentes/Spetacles (do Snap). Será que essas redes são as *suas redes” ou da sua marca? Seguem os números.

Twitter bate recorde de 2014 e fatura US$ 1,19 bilhão em receita, aumento de 74% em comparação com 2020, cujo faturamento foi de 686 milhões de dólares. Parte da receita veio da publicidade. As ações do Twitter Inc. Subiram rápida depois que a empresa informou que adicionou 7 milhões de usuários em três meses, ajudando a receita a saltar 74%.

Snapchat aproveita o maior crescimento de usuários em anos, de acordo com o seu último relatório. Usuários ativos diariamente aumentam 23% para 293 milhões em relação ao ano passado e + 116% em ganhos para 982 milhões de dólares este ano. Esse é o melhor resultado em relação aos últimos quatro anos, cujo recorde era de 206 milhões de pessoas. Parte do crescimento veio da melhor versão do Android, uso do Lens e fim do lockdown em algumas regiões. Em novembro de 2020, Snapchat também teve alta.

*Com informações do Snap Inc. Q2 2021 Earnings e Twitter Earnings 2021.

TikToktização das redes sociais ou “efeito Tik Tok”

Essa semana vi muito sobre o “efeito Tik Tok” ou “TikTokzação das redes sociais”. E no contexto de que o Tik Tok e o Instagram estão entre os aplicativos mais baixados em junho de 2021. Mas será que estamos entendendo direito o que é o efeito Tik Tok na audiência e como usá-lo? Hoje vou falar sobre o que é essa “internet das dancinhas” (SIC), o seu uso e o suposto apocalipse das redes.

O TikTok, rede social de vídeos (inicialmente curtos e, agora, também longos) criou um novo modo de consumir conteúdos audiovisuais, que gera tendências de consumo e divulga hits musicais. E não é apenas o TikTok: o Instagram, com os Reels, permite criação e edição de vídeos rápidos, e o Youtube lançou a publicação de vídeos curtos. Com base no formato rápido, nos desafios, nas coreografias e no engajamento gerado, usa-se o termo de “TikToktização das redes sociais”. Em geral, é uma expressão pejorativa, que indica falta de conteúdo, esvaziamento, “coisa de jovem sem nada na cabeça”.

Porém, será que o TikTok é apenas isto e irá matar as outras formas de comunicar? Tenho dois pontos sobre isso. 1. A internet não é só dancinha. E 2. O viés apocalíptico.

Primeiro. A internet não é só dancinha. E nem o TikTok. O que falta é estratégia para uns e, para outros, senso de diversão. A estratégia só funciona quando está de acordo com a voz da marca. Do contrário, fica sim, vazio, descolado do propósito e ruim. E há o senso de diversão. A rede é feita por maioria jovem, que lança sim, muitas tendências. Há escolhas de aplicá-las ou não. Pode ser que o desafio não seja o objetivo. E que pessoalmente, não tenha o seu cantor favorito, e você prefere a coreografia dos BSB aos passos da Doja Cat. Ambas as coreografias e vídeos coexistirão.

Segundo. A discussão sobre isso me lembra as teorias da comunicação e os seus filósofos, que estudei na faculdade. Eles eram chamados de apocalípticos. Eles pregavam que um meio canibalizaria outro, mataria-os e tornaria as pessoas mais burras. Não é à toa que eram chamados de “apocalípticos”.

Quando a TV foi lançada, achavam que o rádio ia morrer. Quando o cinema foi criado, acreditaram que o jornal faleceria. Mas o jornal, a tv, o cinema, convivem e muitos canais se adaptaram ao digital. Não morreram.

Será que estamos repetindo esse mesmo pensamento no TikTok, sem deixar espaço para novas mídias emergirem – mesmo que os vídeos curtos e as coreografias não sejam parte da nossa estratégia, nossos gostos e hobbies? A verdade é que na história, nem todas as mídias novas e formatos novos mataram os outros. Continuam existindo outras formas de consumo de conteúdo. Até hoje. O slow content continua disponível. O Youtube, por exemplo, não matou as séries (e o Youtube pode falar de fofocas de celebridades ou oferecer cursos gratuitos em playlists incríveis). Então, nesse mar de escolhas, será mesmo que o TikTok, vai “matar” alguma coisa?