Dados sobre streamings: Netflix, Disney, Globoplay e mais

Dados sobre assinaturas e receita dos streamings

Recentemente, tivemos muitas mudanças no consumo de streamings. Surgiram opções novas e o cenário tem cada vez mais concorrência.

Cenário global

A Netflix, que antes brilhava solo, enfrenta mudanças nas assinaturas e queda de clientes. Em 2021, surgiram novos streamings que ganharam uma boa fatia do mercado. Dentre eles, o lançamento do Peacock, a estreia do Paramount Plus e o crescimento orgânico do Disney+. 

De acordo com a PwC, existem algumas diferenças regionais no consumo de streaming, cujos destaques são:

Na Índia, onde Disney+Hotstar, Amazon Prime, Netflix e Zee respondem pela maior parte das receitas de OTT, mais de 40 outros players estão ativos. 

Brasil: O Grupo Globo anunciou um investimento de R$ 1 bilhão (US$ 211 milhões) no Globoplay como parte de sua iniciativa Uma Só Globo (Just One Globo) para trazer todas as marcas e canais para sua plataforma premium. 

Indonésia: os gigantes globais de streaming competem com players locais e regionais, como WeTV (drama asiático), GoPlay (conteúdo indonésio local) e Mola TV (esportes ao vivo).

América Latina

De acordo com a ComScore, os cinco grandes serviços de streaming globais também são as principais assinaturas latinas, incluindo Netflix (49% na América Latina), Amazon Prime Video (40%), Hulu (28%), Disney+ (31%) e HBO Max (31%).

Dados do último trimestre

Netflix: de acordo com as pesquisas, a Netflix sempre conseguiu aumentar suas receitas de forma consistente, mas nos últimos trimestres, a taxa de crescimento da receita diminuiu. De 24,2% no primeiro trimestre de 2021, desacelerou para 9,8% no primeiro trimestre de 2022. Para o segundo trimestre de 2022, a receita deve crescer 9,7%, para US$ 8 bilhões. No segundo trimestre de 2021, as receitas aumentaram 19,4%. 

“Depois de confirmar a perda de mais de 200.000 assinantes no primeiro trimestre de 2022, a empresa culpou os usuários que compartilham suas contas com amigos e familiares. Desde então, a Netflix vem explorando novas maneiras de reter seus assinantes, o que inclui medidas anti-compartilhamento de senhas e um novo plano suportado por anúncios” (9to5Mac).

De acordo com um novo relatório do JustWatch, outros streamings se destacaram no período:

Os resultados do segundo trimestre de 2022 foram bastante positivos para plataformas de streaming menores como Paramount +, Apple TV +, Hulu (que é de propriedade da Disney) e Disney +. Embora essas plataformas tenham crescido nos últimos meses, o mesmo não pode ser dito para grandes players como Netflix e Amazon Prime Video.

Prime Video: os números do relatório JustWatch mostram que o Amazon Prime Video está a apenas um por cento de ficar em primeiro lugar na corrida de serviços de streaming no mundo todo, com participação de mercado de 20%.

Disney: registrou receita de US$ 4,9 bilhões. Aumento de 23% ano a ano. A empresa adicionou 9,2 milhões de assinantes aos seus serviços de streaming e encerrou o trimestre com 205 milhões de assinaturas. O Disney+ adicionou 7,9 milhões de assinantes apenas no segundo trimestre de 2022, de forma rápida, e encerrou o período com quase 138 milhões de assinantes totais. A empresa continua no crescimento previsto, para atingir 230-260 milhões de assinantes até 2024. A plataforma tem 14% de participação e está em quarto lugar mundial.

HBO Max, da Warner Media, fica em terceiro lugar com 15%. A HBO, que tem as séries aclamadas pela crítica, como Game of Thrones e Westworld, no primeiro trimestre de 2022 registrou um total de assinantes globais da HBO Max e HBO de 76,8 milhões, um aumento de 12,8 milhões em relação ao ano anterior.  Por outro lado, a HBO pausou as produções locais na Europa e enfrenta mudanças na diretoria em diversos países, como o Brasil. A Warner Bros Discovery foi o resultado de uma fusão de US$ 43 bilhões entre a WarnerMedia da AT&T e a Discovery, Inc. que foi consumada em abril. Logo após a conclusão da fusão, o CEO David Zaslav disse que a empresa não “gastaria demais para impulsionar o crescimento de assinantes” para HBO Max e Discovery Plus.

Hulu: ocupa o quinto lugar, exibindo uma participação de 10%. O Hulu também ganhou mais assinantes e alcançou 45,6 milhões ao todo. De acordo com alguns especialistas, a Disney deve voltar seu foco no conteúdo infantil, e uma ótima maneira de fazer isso seria vender o Hulu e comprar o Roblox (jogo/plataforma popular entre público mais jovem). Isso mudaria os investimentos do Hulu e também pode afetar a sua receita e total de assinantes.

Apple TV e Paramount Plus: ocupam o sexto e sétimo lugares, respectivamente, com diferença de uma porcentagem de um dígito. O Apple TV+ alcançou recentemente 5% de participação de mercado e está crescendo rapidamente. A Paramount+ está crescendo mais lentamente, mas ainda alcançou 4% de participação de mercado.

Concorrência é cada vez maior, e cada streaming busca o seu diferencial

O número crescente de players no mercado de streaming levou a uma forte concorrência e, nesse cenário, as principais empresas  continuam fazendo investimentos para atrair novos assinantes e impulsionar o engajamento

Netflix, por exemplo, continuou a investir em conteúdo original e seus programas de sucesso, como Bridgerton e Inventing Anna, ajudaram a impulsionar o engajamento e o crescimento. Nos Estados Unidos, tem buscado criar conteúdo original e regional.

No caso da Disney, o seu grande acervo é um grande diferencial da plataforma, especialmente com as franquias Marvel, Star Wars e Pixar, que fazem sucesso a nível global.

Streamings x outros modos de consumir conteúdo

De acordo com a consultoria PwC, a TV tradicional, afetada pela concorrência dos serviços de streaming OTT, verá a receita global encolher -0,8%, de US$ 231 bilhões em 2021 para US$ 222,1 bilhões em 2026.

Os cinemas, que estão se recuperando lentamente das paralisações do COVID, não recuperarão sua receita total de US$ 45,2 bilhões em 2019 até 2023. A volta também pode mudar o cenário de estreias nos streamings: alguns fazem o lançamento nos cinemas e depois nos streamings. Ou fazem estreias mediante ingressos exclusivos em filmes especiais. O cenário ainda é incerto.

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Com dados de: Just Watch, PwC Consulting, ComScore e 9to5Mac. Tradução livre. Curadoria e comentários feitos pelo blog.

Gravadoras em tempos de virais: de Halsey a Adele

Produtoras e gravadoras estariam pedindo vídeos virais para lançar músicas de artistas, especialmente no Tik Tok.

Nessa semana, a cantora Halsey contou que a sua gravadora, Capitol Records, impediria que ela lançasse uma música inédita caso não obtivesse sucesso “viral no Tik Tok” . Ela logo recorreu aos seus perfis para pedir engajamento e aumentar os seus números:

Cantora Halsey grava vídeo contando que sua gravadora pediu virais no Tik Tok para liberar nova música. Segundo ela, haveria pressão de fazer músicas “Tik Tok Friendly” (amigáveis no Tik Tok) para garantir gravação e divulgação. Imagem: reprodução/Tik Tok.

“Basicamente, eu tenho uma música que amo e que quero lançar o mais rápido que puder, mas a minha gravadora não deixa. Estou nessa indústria há oito anos e vendi mais de 165 milhões de discos e minha gravadora está dizendo que não posso lançar a menos que eles possam fingir um momento viral no TikTok”. “Tudo é marketing e eles estão fazendo isso com basicamente todos os artistas hoje em dia. Eu só quero lançar música, cara. E eu mereço tbh (to be honest = para ser honesta). Estou cansada”. 

FKA Twigs foi uma das cantoras que afirmou ter o mesmo tipo de pedido. “É verdade que todas as gravadoras pedem TikToks e eu fui repreendida hoje por não me esforçar o suficiente”. 

“É verdade que todas as gravadoras pedem por Tik Toks e me falaram hoje que eu não tenho dedicado esforço suficiente”. FKA Twigs grava vídeo contando da pressão que ela sofreria pelo mercado fonográfico para gravar vídeose viralizar para divulgar o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Charli XCX também apontou que as sua gravadora está pedindo virais na internet. 

“Quando a gravadora me pede para fazer um Tik Tok pela oitava vez na semana”. Charli XCX grava vídeo falando como se sente com os pedidos para gravar vídeos divulgando o seu trabalho. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Ed Sheeran fez um Tik Tok sobre a questão:

“Quando você supostamente deveria estar fazendo vídeos promocionais da sua música, mas gostaria mesmo de um salgadinho. E você decide que comer um snack pode ser uma divulgação do seu som pois todo mundo adora salgadinhos”. Imagem: reprodução/Tik Tok.

Resposta da gravadora à Halsey

No caso da Halsey, a gravadora se manifestou. “Nossa crença em Halsey como uma artista singular e importante é total e inabalável. Mal podemos esperar para que o mundo ouça sua nova e brilhante e música“, disseram os representantes da Capitol Records e Astralwerks.

Independente do que acontece, fica a questão: será que agora as músicas começam nas redes sociais, apenas em formatos de 30 segundos ou um pouco mais? Fato é que, antes, as músicas aconteciam no rádio e na TV, agora ganham as redes. 

Música viral: case para alguns, não todos

Se por um lado, o lançamento digital pode diminuir a escolha de artistas, utilizar vídeos curtos como forma de divulgação já aconteceu de forma positiva para alguns, como o grupo  Jovem Dionisio e o seu sucesso “Acorda Pedrinho” e tá o desafio de “Envolver”, da Anitta. É um contraponto para diversos artistas americanos, e algo que não funciona com todas as músicas e artistas. 

Contraponto: canções fora dos virais

Há quem discorde desse modo de operação que nasce e tem como bússola o sucesso no digital. A cantora Adele já se manifestou sobre como e para quem faz canções: “Se todo mundo está fazendo música para o TikTok, quem está fazendo a música para a minha geração? Quem está fazendo a música para os meus pares? Eu vou fazer esse trabalho com prazer”, contou em entrevista para a Apple Music.

Perdas e ganhos

Se, por um lado, as plataformas digitais proporcionam músicas novas e descobertas ao mundo todo, nem todas se adequam ao público tik toker. Assim como em qualquer rede, existe um público e um jeito de se consumir, e nem todo som se encaixa. Artistas alternativos, de gêneros indefinidos, ou fora do circuito de coreografias podem não entrar na onda por falta de afinidade. E, para eles existem outros espaços, como o nicho do bandcamp, vídeos longos no Youtube ou streaming de alta qualidade sonora no Tidal. 

A rede social é uma vitrine, mas consumir digitalmente uma canção nem sempre é relacionado a consumir um show ou comprar um álbum. Também não garante qualidade técnica musical, e muito menos originalidade. Se é o viral que se torna orientação para definir o que obterá investimento financeiro, vale pensar se as escolhas baseadas em métricas digitais correspondem à verdadeira geração de valor musical. A questão que fica, além do cuidado técnico, é que nem sempre virais garantem resultados para as gravadoras fora da rede. Resta saber como esse cenário evolui e as escolhas de cada artista. Para o pop, a bússola digital aparece cada vez mais presente.