Ailton Krenak na Academia Brasileira de Letras: dados e fatos

Ailton Krenak na Academia de Letras: Krenak tornou-se o primeiro indígena a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), um marco histórico na representação dos povos indígenas na cultura e literatura brasileira. Foto: ABL 2024. Divulgação para a imprensa.

Ailton Krenak na Academia de Letras: Krenak tornou-se o primeiro indígena da Academia Brasileira de Letras (ABL), um marco histórico na representação dos povos indígenas na cultura e literatura brasileira. Sua eleição, em outubro de 2023, foi celebrada como um momento de grande significado. É parte da inclusão e reconhecimento das contribuições dos povos indígenas para a sociedade brasileira. Sua posse aconteceu no dia 05 de abril de 2024.

Conhecendo a trajetória de Krenak em dados e fatos

(Krenak é um sucesso de consumo cultural, best seller, e mostra a representatividade brasileira)

  • Primeiro membro indígena em 120 anos: Ailton Krenak tem a distinção de ser o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras.
  • A academia, fundada em 1897, tem como um dos objetivos a preservação e promoção da língua portuguesa e da literatura brasileira.
  • Krenak ocupa a Cadeira Número 5, anteriormente de José Murilo de Carvalho. 
  • Krenak foi eleito em outubro de 2023.
  • Ailton Krenak assumiu a “cadeira dos imortais”, como é chamada, oficialmente em 05 de abril 2024.
  • Traduzida para mais de 13 países, a obra de Ailton Krenak divide-se entre livros, ensaios e coletâneas, tais como:
    • Tembetá
    • Lugares de Origem
    • Futuro Ancestral
    • O amanhã não está à venda
    • Ideias para adiar o fim do mundo
    • A vida não é útil
    • O sistema e o antissistema: três ensaios, três mundos no mesmo mundo

Alguns dos seus livros de maior sucesso e consumo da literatura de Krenak

  • Ideias para Adiar o Fim do Mundo: Publicado em 2020, este livro se tornou um best-seller, figurando nas listas dos mais vendidos no Brasil. A obra reúne reflexões sobre a crise ambiental, o consumismo desenfreado e a necessidade de uma mudança profunda em nossa relação com o planeta.
    • O livro já vendeu mais de 50 mil exemplares.
    • Edições múltiplas: O sucesso da obra resultou em diversas edições, incluindo uma edição em braile e outra em audiolivro, ampliando o acesso à obra para diferentes públicos.
  • A Vida Não é Útil: Lançado em 2021, este livro explora temas como a espiritualidade indígena, a sabedoria ancestral e a importância de reconectar-se com a natureza.
    • Desde seu lançamento, a obra já vendeu mais de 40 mil cópias.
  • Futuro Ancestral: Publicado em 2019, este livro reúne textos que abordam a cosmovisão indígena, a memória ancestral e a construção de um futuro mais justo e sustentável.
    • Já vendeu mais de 35 mil cópias.

Posse de Ailton Krenak na Academia Brasileira de Letras

Ailton Krenak na Academia de Letras: Krenak tornou-se o primeiro indígena a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), um marco histórico na representação dos povos indígenas na cultura e literatura brasileira. Foto: Dante Editora no Instagram. Divulgação para a imprensa.
Ailton Krenak na Academia de Letras: Krenak tornou-se o primeiro indígena a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), um marco histórico na representação dos povos indígenas na cultura e literatura brasileira. Foto: Dante Editora no Instagram. Divulgação para a imprensa.

A trajetória de Ailton Krenak é marcada por sua atuação no movimento indígena desde a década de 1980. Ele ficou conhecido por um gesto simbólico na tribuna do Congresso Nacional, onde passava tinta de jenipapo no rosto enquanto defendia os direitos dos povos indígenas. Esse gesto teve impacto significativo na aprovação dos artigos 231 e 232 da Constituição Federal, que reconhecem os direitos dos indígenas como cidadãos.

Em seu discurso de posse, Ailton Krenak homenageou os que o antecederam na academia e destacou a importância da oralidade, propondo a criação de uma plataforma semelhante à Biblioteca Ailton Krenak, que disponibilizaria acesso a imagens, textos, filmes e documentos em diversas línguas nativas, contribuindo para o resgate linguístico e cultural dos povos indígenas.

“Espero ter honrado aqueles que me antecederam, aqueles que contribuíram para que essa Casa possa seguir honrando a sua fundação”, afirmou. O novo “imortal” percorreu pela formação miscigenada dos brasileiros ao mesmo tempo que evidenciava os impactos na identidade dos povos indígenas e os saudava. “Eu não sou mais do que um, mas eu posso invocar uns 300. Nesse caso, 305 povos indígenas” (ABL/ASCOM Governo Federal).

Krenak traz uma voz questionadora e conectada com a terra e a cultura brasileira. Pode auxiliar a entender melhor o Brasil e é alinhada com as preocupações de nosso tempo, que exige mais práticas de sustentabilidade (ESG) tanto do ponto de vista social quanto do meio ambiente.

Aproveitando que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) declarou a década 2022-2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas, a ideia também é convidar a Unesco para dar visibilidade à proposta. “Quando está na web, está no mundo, deixa de estar apenas no site. A ideia é priorizar a oralidade e não o texto. O que ameaça essas línguas é a ausência de falantes”, observa Krenak.

Mais sobre Ailton Krenak

Ailton Krenak, nascido em 1953 no município de Itabirinha (MG), é do povo Krenak. Além de sua atuação no movimento indígena, ele é professor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Universidade de Brasília (UnB). Em 2020, recebeu o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano pela União Brasileira dos Escritores (UBE), pelo livro “Ideias para adiar o fim do mundo”.

A eleição de Ailton Krenak para a Academia Brasileira de Letras representa um passo importante na valorização e reconhecimento da diversidade cultural e linguística do Brasil, além de ser um reconhecimento à sua trajetória de luta e ativismo em prol dos povos indígenas.

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Profissional de Digital Business e Business Intelligence, com foco em Consumer Insights, Trends e Cultural Research. Pesquisa e trabalha criando estratégias baseadas em dados. Criadora do Dataísmo e da comunidade de consumer insights Priszma by Dataísmo. Formada em Marketing e pós-graduanda em Digital Business na USP.

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