Dataísmo

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Category: Cruzamento de dados

Dados fora da caixa: menos pesquisas W.E.I.R.D., mais abrangência em Business Intelligence

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A maior parte das pesquisas globais sobre economia, política e até de teorias comportamentais, seja no mundo acadêmico ou no mercado, são baseadas em dados coletados sobre pessoas padronizadas, que representam uma amostra muito limitada em relação à variedade de humanos que temos. Onde estão os indianos, os negros, os orientais, os gays e até… transexuais?

As pesquisas que só abordam determinada parcela da população são limitadas, globalmente publicadas e… chamadas de “pesquisas W.E.I.R.D.”. Elas podem ser reduzidas ao clichê de “precisamos sair da caixa” das pesquisas.

W.E.I.R.D., em pesquisa, significa:

  • Western (ocidental);
  • Educated (educação superior);
  • Industrialized (industrializado/urbano);
  • Rich (rico).
  • Democratic (democrata).

No Brasil, podemos traçar vários perfis de “pesquisas WEIRD”. Um deles é:

  • Branco;
  • Heterossexual;
  • Ensino superior;
  • Vive em grandes metrópoles;
  • Rico: é das classes A e B;
  • Liberal (posicionamento político).

O desafio no Brasil passa por várias camadas, especialmente raciais e sociais. Se dermos um breve Google, o volume de pesquisas sobre quem está fora do padrão é absurdamente menor. Nesta minoria temos moradores da periferia, classe D,  transgêneros, bissexuais, mães solteiras, casais homoafetivos que adotaram crianças, retirantes nordestinos (ad infinitum).

O desafio das “9 dots” ou “thinking outside the box”
Hora do jogo

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Ligue os pontos;
Use apenas quatro linhas retas;
Linhas devem ser conectadas (não dê o truque e tire a caneta do papel enquanto traça-as);
Você não pode refazer as linhas enquanto traça.

Para visualizar o resultado, clique aqui.

O resultado de ligar simples esferas é um paralelo matemático que podemos associar ao desafio ao pensar fora da caixa com as pesquisas, relatórios e soluções estratégicas. A “visão viciada” é comum, pois estamos ligamos mais ligados ao contexto do que já temos, às possibilidades concretas e aos pensamentos facilmente acessíveis.

As crianças costumam fazer o desafio das 9-dots com mais facilidade e rapidez do que os adultos. O “quebra a cabeça” é resolvido com menos “limitações de mundo”, menos conceitos pré-determinados. As crianças não possuem uma caixa clara ainda e usam a criatividade e experimentação. Em outras palavras, pensam sem limitação.

Christian Rudder a aplicação anti-W.E.I.R.D. no site OkCupid

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Em seu livro “Dataclysm – Who We Are (When We Think No One’s Looking)”, o autor Christian Rudder aborda, em alguns momentos, as pesquisas W.E.I.R.D., apontando que elas limitam a nossa visão total do que está acontecendo. Rudder é co-fundador do site OkCupid, um dos sites de relacionamentos gratuitos mais populares do mundo, com mais de 3,5 milhões de usuários.

Por meio de gráficos e de explicações para comportamentos dos usuários, Rudder comprova que sair da amostra tradicional mostra novos cenários – que é o caso de sua pesquisa no site OkCupid. Ao analisar um dos maiores sites de relacionamento do mundo, ele procura ir além das “pessoas tradicionais” das pesquisas W.E.I.R.D. e investiga, também, asiáticos, negros e latinos.

Ao perguntar-se sobre o quê a equipe do OkCupid sabia sobre o comportamento e quais dados tinham da parcela de asiáticos, negros e latinos, ele concluiu:

“Não há muito que você pode fazer com o fato de que, estatisticamente, a banda menos negra na Terra é Belle & Sebastian, ou que o flash instantâneo em uma foto faz uma pessoa sentir-se sete anos mais velho, exceto para dizer, e talvez repetí-la em um jantar”.

(Christian Rudder, no livro “Dataclysm: Who we are”)

E foi explorando as possibilidades de vários tipos de pessoas que Hudder chegou em dados sobre a possibilidade de encontros entre pessoas de diferentes raças se conhecerem. O gráfico abaixo é feito junto ao DateHookUp, plataforma independente adquirida pelo OkCupid e que mostra uma base de usuários com preconceitos básicos na hora de conhecer o seu “crush” fora da internet:

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  • Homens latinos e brancos são os que menos querem conhecer seus “dates” negros;
  • Mulheres latinas não costumam sair com homens asiáticos;
  • Mulheres brancas preferem sair com homens brancos;
  • Homens brancos preferem sair com mulheres brancas.

Fora da caixa

 

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Ok. A expressão “fora da caixa” surgiu há mais de 20 anos e hoje em dia não podemos dizer que este mote é “fora da caixa”, pois já tornou-se clichê e… resumido, inclusive. Atualmente, é usada frequentemente no marketing e na publicidade. Mas qual, realmente, a sua aplicação? Quantas campanhas e pesquisas podemos listar que possuem dados sobre as pessoas fora do eixo W.E.I.R.D., mas que são atuantes na sociedade, mas nem sempre possuem visibilidade?

Pensar fora da caixa é olhar além do que foi coletado nas pesquisas e pensar no espaço “vazio” que ainda existe, para ir além dele e compor uma amostra completa. Para criar insights “fora da caixa” e aplicar de forma a criar Business Intelligence:

Abrangência da pesquisa:
– Quais pessoas esta pesquisa engloba?
– Quais soluções podem ser aplicadas?
– Qual as ideias/insights/conhecimentos que as soluções sugerem?

 

Menos dadinho, mais big data:
(Para pensar no cenário total, e não apenas no que salta aos olhos)

– Lato sensu, em latim, significa “sentido amplo”. Utilizada frequentemente para caracterizar determinada interpretação que deve ser abordada no sentido lato (abrangente);
– “Lato” sim. A abrangência das pesquisas é fundamental para sair que elas abordam Contido em si, dar o sentido de inclusão de muitos dados ou muitos fatos inerentes ao assunto.

 

* * *
Are you weird? Fale com o dataismo@gmail.com 😉

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

Twitter Niche: reflexões sobre influenciadores, curadoria de conteúdo e engajamento

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Os criadores independentes têm influenciado as redes sociais diariamente, e sua audiência pode, muitas vezes, dar mais atenção a eles do que à marca. Nesta teia, os anunciantes podem encontrar uma forma de propagar sua mensagem de forma criativa, unindo entretenimento à publicidade.

Identificando este mercado já presente no Brasil, o Twitter encontrou no país uma forma de desenvolver sua plataforma, Niche, que surgiu nos Estados Unidos.

“Há muito tempo agências e marcas têm percebido que precisam ampliar o alcance de suas ações no universo digital para falar com a maior audiência possível, e o trabalho do Niche abre grandes possibilidades. Niche seleciona e categoriza os produtores de conteúdos, entende os objetivos de agências e marcas e faz a ponte entre essas empresas e os criadores mais adequados”.

(Guilherme Ribenboim, vice-presidente do Twitter para América Latina)

 

Influenciadores: qual a sua importância?

Os produtores de conteúdo, quando influenciadores, são figuras importantes no network – ou a “teia” em que as pessoas estão interligadas. São eles que impulsionam os assuntos, propagam a informação ou as hashtags, interagem com outras pessoas que também possuem relevância no assunto, abrem conversações e ainda podem gerar comentários, compartilhamentos ou retweets, por exemplo.

Os influenciadores são medidos não somente pela quantidade de seguidores que possuem, mas também por:

  • Relevância, comumente chamada de “voz de autoridade” ou conhecimento no segmento, seja ele de moda, beleza, entretenimento (tais como seriados, novelas, programação, eventos e afins), esportes, política e tantos outros assuntos que podemos listar;

Estas personas podem ser identificadas por meio da análise de conexões (usando um modelo de Social Media Analysis ou SNA), da observação de quais são os seus laços e de qual é a intensidade e relevância daquelas pessoas, por exemplo.

Atualmente, encontramos várias empresas do mercado que terceirizam este serviço, fornecendo o estudo dos influenciadores como um produto. E foi isso que o Twitter fez, mas de uma forma um pouco diferente da tradicional, explorando as suas próprias plataformas, como o Vine: pensando nessas pessoas que geram conteúdos interessantes (e nos quais os demais usuários estão de olho), focando na curadoria de conteúdo e na escolha dos melhores influenciadores do mercado.

A relevância da curadoria de conteúdo

Para muitas marcas, o Twitter é fonte de informação e funciona como um “termômetro”. Mas o que é o Twitter Niche? E quem determina quais são os influenciadores e como eles se organizam? Ou melhor, como diz o programa de tv: quem são, onde vivem, o que comem?

O Niche é um software que já existia independentemente do Twitter e foi adquirido pela rede social em 2015. No mês de setembro deste mesmo ano, a plataforma expandiu-se no Brasil. A ferramenta foi apresentada no youPIX CON, convenção no segmento de conteúdo digital realizada no MIS (Museu da Imagem do Som), em São Paulo (SP).

Por meio do Twitter Niche, as marcas ou empresas têm acesso à comunidade criativa de forma mais direta para elaborar ações que reforçam a importância de fornecer o conteúdo não só por meio da própria persona, mas também propagando-o por meio de quem tem relevância. De acordo com o próprio Twitter:

As marcas também estão buscando parcerias com indivíduos na esperança de gerar momentos que ressoam com as pessoas que estão tentando alcançar. O talento e a criatividade em todo o panorama da mídia é incrível, e nós esperamos que esta aquisição continua a inspirar as pessoas a criar grande conteúdo.

 

Audiência x relevância

Em muitos momentos, as redes sociais das marcas se concentraram em adquirir audiência. Agora, estes anunciantes esperam que estas pessoas sejam relevantes e possam consumir de forma mais acessível a cultura da marca e o próprio produto/serviço. E a análise das redes sociais, inclusive com ferramentas como o Twitter Niche, torna esta relação mais próxima.

Desenvolver estratégias ou utilizar uma ferramenta mais focada no engajamento do que no número de seguidores ou de fãs proporciona uma métrica mais real, voltada a pessoas que realmente gostam do assunto e do outro.

O resultado é que o anunciante pode contar com uma plataforma que irá segmentar seu assunto de acordo a audiência; o criador de conteúdo pode ganhar com aquilo que quer propagar ou no que acredita. A audiência, por sua vez, tem acesso a conteúdo mais qualificado, que passa por uma escolha/curadoria, com opiniões e informações segmentadas em seus assuntos de real interesse.

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

A prevenção de suicídio, o Facebook e a netnografia

2015-09-10

Artigo por Gio Sacche*

Pelo primeiro ano, a campanha #SetembroAmarelo ganha força no Brasil. Seu objetivo é dar visibilidade e fomentar a prevenção de um problema de saúde pública: a morte prematura causada pelo suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa tira a sua vida.

A Ju Dias e eu achamos que seria atual lembrar esse importante trabalho de prevenção ao suicídio pois hoje é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (World Suicide Prevention Day). No evento oficial da organização Internal Association of Suicide Prevention (IASP), especializada na luta, várias pessoas enviaram fotos de velas acesas em homenagem a pessoas que perderam ou para lembrar da discussão do assunto. As luzes são um símbolo de resistência e do que não pode se apagar: a vida. Ou, como diria a música do cantor Morrissey: “there is a light never goes out”. 😉

Há dois anos, o Facebook anunciou que se uniu ao grupo americano Save para ampliar a ação que a rede que fazia desde 2011, a prevenção de suicídio de seus usuários. O objetivo do Save é… salvar. 🙂

E, aproveitando as informações disponíveis online, existe muito mais que pode ajudar as pessoas a não terem uma morte prematura!

A dor do suicídio é silenciosa, mas os números são gritantes

Segundo dados do grupo Save, o suicídio é a terceira maior causa de mortes entre jovens entre 15 e 24 anos. Anualmente, cerca de 780 mil suicídios são cometidos. E a taxa de suicídios cresceu 60% nos últimos 50 anos. De acordo com a Revista Mundo Estranho/Superintessante, até o fim de 2007, a média de suicídios ao redor do planeta chega à marca de uma morte a cada 30 segundos. E pior: estima-se que, para cada pessoa que comete suicídio, existem pelo menos outras 20 que tentaram, mas não conseguiram consumar o ato. Esses números levaram a Organização Mundial da Saúde a criar diversas ações, como a conscientização especial no dia 10 de setembro.

O importante trabalho da Save

O pilar da organização é lidar com sentimentos e alertas:

“Acreditamos que o suicídio é evitável e que a prevenção do suicídio funciona. A fim de cumprir a nossa missão e objetivos, nós usamos o modelo de saúde pública, juntamente com campanhas de mídia e educação para aumentar a consciência de suicídio. Nós usamos uma abordagem educativa para dissipar os mitos sobre o suicídio e permitir que os outros saibam sobre as realidades que o cercam. É o que o ex-Cirurgião Geral dos EUA Dr. David Satcher chama de “crise de saúde pública”.

 

Eles fornecem material especializado para espalhar informações e ajudar a desfazer o tabu do suicídio:

“Livros educativos para jovens e adultos estão disponíveis para os programas de prevenção da comunidade, escolas, profissionais de saúde, empresas e indivíduos envolvidos com a prevenção do suicídio. Essas ferramentas valiosas são uma excelente oportunidade para construir a conscientização da comunidade, bem como ajudar aqueles em necessidade”.

 

A parceria da Save com o Facebook e as suas implicações

A parceria com a rede social potencializa o trabalho de prevenção, pois o Facebook afirma que atualmente conta com 800 milhões de usuários ativos e mais de bilhão de perfis cadastrados. A rede social já trabalhava com a profilaxia de suicídio, mas baseando-se nas denúncias de amigos do potencial suicida. Com a união com o grupo Save, o Facebook mapeia as informações de suicidas com o intuito de traçar comportamentos semelhantes. O uso dos dados irá identificar potenciais suicidas e planejar ações para a prevenção de novos casos de jovens que, por ventura, desejam abreviar as suas vidas.

 

 

O cruzamento de dados da netnografia do Facebook no mapeamento

Atualmente, sabemos que as principais causas estão a depressão, bipoloridade, esquizofrenia, outras doenças psiquiátricas, vícios em drogas, em álcool e acontecimentos marcantes (com a perda de um ente querido). O estudo pode ser feito:

Levando-se em conta páginas que os usuários que cometeram suicídio curtiram;

– Palavras ou termos mais utilizados, mensagens de familiares e amigos (que possam conter as motivações que o indivíduo teve).

Geolocalização: centros psiquiátricos, grupos de ajuda, sucessivos check-ins em casa (o que significa que a pessoa não costuma sair com frequência, acompanhados de comentários agregados nos check-ins, do tipo “não quero sair”, “não há vida lá fora”).

– Acompanhamento do cotidiano da vítima.

 

Com o uso de algoritmos, o Facebook não precisa mais de denúncias de amigos e pessoas próximas quando uma pessoa demonstrar vontade de tirar a própria vida. A rede pode entrar em contato direto para poder prevenir o pior.

Para mim, é reconfortante saber que uma das redes mais populares tem interesse e usará as informações que os usuários confiam (no sentido de divulgar dados de seu cotidiano) para realizar um estudo tão importante.

Ao buscarmos os termos suicídio e Facebook, damo-nos conta de quantos casos são anunciados e descritos nas redes sociais e podem ser prevenidos com o diagnóstico precoce e tratamento correto. O que me deixa feliz é que para isso os pesquisadores utilizaram técnicas de netnografia para coleta desses dados e para a análise e que ela será em prol da vida humana.

 

* Gio Salles trabalha com números, mas é de humanas.
BI da DM9DDB, feminista e ciclista wannabe.

Twitter: @caragliogio
Facebook: Gio Sacche
Instagram: @giosacche

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

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