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A invasão dos emojis

Entrevista sobre emojis para a TV Gazeta Online 🎤👩💬
Publicada em setembro de 2015

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A invasão dos emojis

 Eles nos ajudam a expressar emoções, sentimentos e representar situações envolvendo diferentes atividades cotidianas
Por Mariana Lima Pereira | TV Gazeta Online

Já são mais de mil opções de emojis disponíveis para compor mensagens compartilhadas diariamente, no mundo todo, em redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e WhatsApp. Você não sabe o que é um emoji? Na verdade, sabe:

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O impacto dos emojis em nossas vidas não se restringe apenas às conversas entre amigos ou familiares, por exemplo. Também tem a ver com a relação de consumo que envolve tanto o processo de compra e venda de produtos quanto a difusão de notícias.

De onde surgiram? Como sobrevivem?

Desde que Shigetaka Kurita deu forma ao primeiro emoji, no Japão, na década de 1990, as transformações provocadas por esses símbolos chamam a atenção. Nascidos de uma necessidade de se simplificar mensagens trocadas por meio de bipes, os emojis ajudam a expressar sentimentos, complementando o sentido daquilo que se quer dizer e, por vezes, traduzem atividades cotidianas como indicar a refeição que estamos fazendo ou um lugar que estamos visitando.

Os emojis podem ser considerados como a evolução dos emotions, criados nos anos 1980 por Scott Fahlman com o intuito de atenuar os tons das mensagens trocadas em um grupo de discussão do departamento de física da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, onde Fahlman é professor assistente de pesquisa em ciência da computação.Com a massificação do uso dos emojis em diferentes países, sobretudo a partir do momento em que a Apple disponibilizou um teclado exclusivo para esses símbolos na versão iOS 4 de seu sistema operacional, lançada em 2007, sendo seguida pelas também gigantes da tecnologia Google e Microsoft – com seus sistemas Android e Windows Phone, tornou-se necessária a organização de novos itens.

A palavra emoji, em sua tradução possível para a língua portuguesa, expressa as ideias de imagem (e) escrita (mo) e personagem (ji). Inicialmente, a biblioteca de emojis disponíveis continua somente 172 opções. E a responsável por essa tarefa é a Unicode Consortium, uma organização sem fins lucrativos. A partir de 2010, ela padroniza os temas dos emojis presentes nas plataformas móveis para além do território japonês. Vale destacar que a aparência desses símbolos é definida por cada empresa, mediante preservação do significado do emoji.

A contribuição dos usuários de internet é considerada no momento da definição dos novos emojis. As sugestões podem ser enviadas por meio de petições on-line para avaliações do Unicode Consortium. Tal colaboração resultou, entre outras coisas, na diversificação racial e sexual dos emojis.

Smartphones unidos

A massificação no uso de smartphone, associada à ideia de mobilidade, ajuda a entender porque os símbolos tomam o lugar das palavras em diferentes ocasiões. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2014, divulgada em setembro de 2015 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, há uma preferência dos brasileiros pelo acesso à internet via telefone celular (76%) em comparação ao uso de computadores de mesa (54%), notebook (46%) e tablet (22%).

Ainda segundo a pesquisa, 47% dos brasileiros com 10 anos ou mais fizeram uso de dispositivos móveis em 2014 e 84% indicou o acesso diário ou quase todo os dias por meio exclusivo de telefones celulares.O envio de mensagens instantâneas por meio de chats e aplicativos de conversação foi a atividade mais comum entre os usuários de internet durante os três meses anteriores à realização da pesquisa para a TIC Domicílios 2014, sendo que a presença em redes sociais também se destaca no país, atingindo 76% da participação dos usuários.

Como muitos desses aparelhos móveis trazem embutidos teclados específicos para inclusão de emojis, a criatividade acaba por se destacar, gerando ações orgânicas que permitem a comunicação em torno de um tema comum, seja algo de utilidade pública ou uma simples brincadeira, por usuários de todo o mundo, em uma linguagem quase universal.

No Twitter, recentemente, usuários propuseram um karaokê mesclando emojis e letras de música por meio da hashtag #Emojike.

A jornalista Juliana Freitas, que trabalha com inteligência de negócios e desenvolve trabalhos ligados às áreas de monitoramento e métricas, participou da ação: “Música é uma coisa que sempre faz parte da minha vida. Essas ações são mais pela diversão, com a intenção de fazer parte daquele grupo e, quando eu me identifico, acabo participando.”, conta.

Responsável por um blog sobre dados coletados por meio das redes sociais, o Dataísmo, Juliana publica até mesmo o resultado de suas pesquisas com o auxílio de emojis.

E é o Instagram a rede social que, atualmente, mais tem compartilhamentos envolvendo emojis. “Em março de 2015, metade dos usuários dessa rede social usaram emojis em seus comentários, em vez de palavras. A maior parte deles pertence às gerações X e Y e são os que mais usam emojis no dia a dia.”, diz Juliana.

 

Emoji também é… marketing!

De olho nesse segmento, muitas são as marcas que apostam nos emojis para conseguir estabelecer comunicação com potenciais consumidores. O marketing digital é uma realidade que permeia o discurso publicitário e, mais timidamente, o jornalístico.“Com a popularização das mídias sociais, visa-se cada vez mais formas instantâneas de comunicação. Assim, os emojis são uma forma de tornar a forma de comunicar mais palpável, simples e antenada com as tendências apresentadas pelos atuais meios de comunicação, sobretudo os aplicativos de mensagens instantâneas.”, explicar Soraia Lima, consultora de marketing digital e professora em cursos de graduação e pós-graduação de comunicação e mídias digitais.

O uso de imagens sempre esteve presente na comunicação e, de acordo com Soraia, o marketing digital apenas se apropriou de algo presente nas trocas comunicacionais do dia a dia, estabelecendo uma conexão possível para as mídias mais tradicionais.

Algumas empresas já direcionam parte de seu planejamento de comunicação digital para campanhas baseadas em emojis com o intuito de humanizar o relacionamento envolvendo publicidade e consumidores é cada vez mais comum a intenção do engajamento, uma das características do marketing digital, com o objetivo de comercialização de produtos.É o caso da Coca-Cola, que criou uma campanha, em Porto Rico, baseada em um website cujo endereço é formado por um emoji, e do Itaú, que produziu comerciais sobre diferentes assuntos utilizando apenas símbolos, além de áudio.

O uso de emojis na comunicação de marcas, tanto de consumo quanto jornalísticas, por meio das redes sociais é, segundo Soraia Lima, uma estratégia ousada: “As marcas devem lembrar quem é o seu público e qual o seu objetivo em usar os emojis como forma de enviar mensagens. Isso porque nem sempre elas serão eficazes com todos os usuários.”.

Nem todos os casos, campanhas e marcas conseguem alcançar clareza na comunicação apenas com mensagens formadas por emojis, diz Soraia. “As marcas devem perceber se tal posicionamento, mesmo sendo uma estratégia de marketing digital, é assertiva com a estratégia pensada para o seu público. Um usuário mais velho, por exemplo, pode não entender determinada linguagem ou posicionamento da mensagem, o que pode afastar o público em vez de aproximá-lo.”

O poder de opinião que os emojis podem carregar deve ser observado na hora de pensar em usá-los na linguagem jornalística. “Se pensarmos nos cânones do jornalismo, não se misturam fatos e opiniões. Então é preciso atentar para qual tipo de comunicação queremos estabelecer, se opinativa ou factual. Se for somente factual, realmente não cabe [usar emojis].”, afirma a Profa. Dra. Helena Jacob, coordenadora do curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

De acordo com ela, no caso do jornalismo, editorias como gastronomia e moda, assim como publicações voltadas para públicos específicos como adolescentes e mulheres, parecem absorver melhor o uso da linguagem permeada por emojis.Um exemplo disso é um vídeo, publicado no site da jornalista de moda Lilian Pacce, feito durante a última edição da São Paulo Fashion Week e que trazia avaliações de estilos feitas com a ajuda de emojis.Outra possibilidade de uso dos emojis no jornalismo, segundo Helena Jacob, são as redes sociais das marcas jornalísticas, que nesses ambientes, podem usufruir de uma linguagem menos formal. Emojis funcionam bem para respostas imediatas. Acho que o uso [de emojis nas redes sociais de marcas jornalísticas] é um prolongamento do jornalismo e não o descaracteriza.”.

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Originalmente publicado em TV Gazeta Online. Veja artigo completo no site da TV Gazeta. 😉 📖

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

Pirâmide de Awareness no monitoramento de redes sociais

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De acordo com David Aaker, a única forma de alcançar crescimento de vendas no mercado atual é a criação de novos produtos ou serviços para atingir novos públicos ou manter os já conquistados (que estão em constante mudança).

Por outro lado, a competição no mercado geralmente “não move a agulha”, mesmo com orçamentos de marketing agressivos. Então, como as mídias sociais podem aumentar a oferta de criar uma novo target? “Há uma variedade de maneiras, mas o objetivo final deve ser o de criar uma comunidade que pode fornecer não apenas benefícios funcionais, mas também emocionais, sociais, e os benefícios de auto-expressão” (Aaker). Em outras palavras, uma das opções é transformar as mídias sociais em plataforma de conhecimento do consumidor, localizando oportunidades de negócios em comunidades, criando grupos e… monitorando!

Por meio do monitoramento de redes sociais, podemos identificar o panorama da marca, observar quem fala sobre ela, traçar necessidades, pontos positivos e negativos. Isto pode ocorrer com o monitoramento do buzz (o que foi falado) de forma espontânea, sem citar os canais da marca diretamente; de forma direta, com os comentários e replies diretos à marca; ou até por meio do universo que compõe a marca (grupos ou comunidades que fazem parte do recorte desta marca nas redes sociais.

Neste monitoramento, é importante mensurar o awareness, pedido em várias campanhas, especialmente de mídia. O awareness refere-se ao conhecimento ou percepção, está ligado à imagem da marca, e em como ela é percebida pelos clientes/consumidores. Mas… qual público esse awareness impactou? Será que, se fôssemos mensurar isto em dados,  além desse volume todo, poderíamos traçar dados de qualidade e mensurar a importância de quem foi impactado?

 

Conhecendo o cliente e o público
~Refletindo~ antes de usar os conceitos e a Pirâmide de Awareness

Existem muitas questões interessantes que o conceito de awareness pode desmembrar. Estas perguntas nos ajudam a definir o que é a marca, quem é o seu público e qual cultura ela expõe no mercado. Basicamente, ajudam a traçar o contexto da comunicação. Isto é bem útil quando pensamos nas pessoas que conhecem, não conhecem ou amam a marca. E também podemos criar suposições enquanto fazemos o monitoramento de redes sociais. 😉

  • O seu negócio/cliente é sobre o quê?
  • Como acontece a captação e manutenção dos clientes?
  • Que tipo de informação é disponibilizada para os seus clientes e os clientes potenciais?
  • Como a marca diferencia-se dos concorrentes?
  • Quais os pontos mais fortes da marca?
  • Quais os pontos mais fracos da marca?
  • Qual a principal preocupação com a imagem dela?
  • Que tipo de imagem a marca gostaria de ter e qual a imagem que ela tem? (Igual àquele meme de “como me enxergam” versus “como eu me enxergo”, sabe?)
  • Como criar ou manter um bom relacionamento entre clientes, funcionários e fornecedores?
  • Quais são os principais nichos da sua marca? Qual o comportamento dessas pessoas?
  • Quais os principais segmentos externos que impactam na sua marca? Exemplo: política, educação ou cultura.

 

Pirâmide de Awareness
David Aaker, em seu livro Brand Equity, expõe uma pirâmide que nos ajuda a mensurar este awareness todo:

 

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  • Top of mind: consumidores/clientes que tiveram e ainda têm uma experiência com a marca. Está associada à “realização” e enraizamento da cultura da marca.
    • Necessidades: fomentar e impulsionar as pessoas que fazem parte do topo da pirâmide para mantê-las neste status, oferecendo novidades e traçando o que as move, para nunca perdê-las de vista. Fazem parte dela os advogados (da marca), pessoas que podem, também, ser chamadas de “lovers” e irão defender aquela cultura, muitas vezes até argumentando com quem não está no topo da pirâmide.
    • Palavras-chave: lealdade, experiência.
  • Lembrança da marca: consumidores/clientes que já tiveram contato com a marca, mas não chegaram a desenvolver um relacionamento com ela. Podem ter confiança ou respeito.
    • Necessidade: observar o julgamento e as sensações destes usuários em relação às suas primeiras experiências. Eles estão próximos dos “top of mind”, assim como podem desistir da marca. 🙁
    • Palavras-chave: memória, emoções, oportunidades, desenvolvimento.
  • Reconhecimento da marca: pessoas que sabem qual a marca, já foram impactadas por ela em algum momento, mas não construíram nenhuma experiência com ela.
    • Necessidades: ver quais passos faltam, na jornada do consumidor, para ele que possa “subir” nesta pirâmide.
    • Palavras-chave: inconsciente, imagem, sensação.
  • Desconhecimento da marca: quando a marca é uma “unaware brand” para estes usuários. Nâo iremos achá-las no monitoramento direito ou indireto, mas podemos identificá-las no universo da qual a marca faz parte.
    • Necessidade: reposicionamento. Saber o contexto em que eles estão inseridos: o porquê de ainda não conhecerem a marca. Será que faltou oportunidade? É hora de discussão, investigação e conhecimento das necessidades deste grupo.
    • Palavras-chave: ausência.

 

Exemplificando a pirâmide:

Vamos supor que estamos com uma campanha gerar para awareness para as bonecas Fofoletes. As Fofoletes foram bonecas colecionáveis, pequeninas, fofas, porém levemente assustadoras, que fizeram muito sucesso nos anos 1980 e a sua fama se espalhou pelos anos 1990… Uma campanha para fomentar a compra de Fofoletes teria sido criada, online e offline, e um monitoramento com as palavras FOFOLETE e FOFOLETES está rodando. Se fôssemos aplicar a divisão entre os elementos desta pirâmide, podemos organizá-las em:

  • Top of mind: colecionadoras e colecionadores de Fofoletes;
  • Lembrança da marca: adultos que já compraram e ganharam Fofoletes quando crianças, mas atualmente não são consumidores de Fofoletes;
  • Reconhecimento da marca: jovens acima de 25 anos que sabem o que são as Fofoletes, mas nunca tiveram uma;
  • Desconhecimento da marca: em nossa suposiçao, identificamos que existem menções apenas de homens e mulheres adultos na amostra analisada. Logo, não existem adolescentes falando do produto. Se a amostra for alta e confirmarmos esta suposição, é possível que a maior parte dos jovens das gerações X e Y não saibam da existência das bonecas. Eles só podem vir a conhecer a marca caso a campanha consiga atingí-los.

 

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Elementos para construir inteligência de negócios neste awareness todo

Nesta pirâmide, temos oportunidades ou ameaças? Talvez os dois. 🙁

O artigo Strategic Marketing Management: Building a Foundation for Your Future (University of Florida) descreve ambos:

As oportunidades são os fatores externos ou situações que oferecem potencial para se aproximar ou chegar mais rapidamente às metas da empresa. Por exemplo, alterar a preferência dos consumidores por conveniência pode ser uma oportunidade para a sua empresa.

As ameaças são os fatores externos ou situações que possam limitar, restringir ou impedir a empresa na busca de metas. Por exemplo, os novos regulamentos podem elevar o custo de produção, resultando em uma ameaça para a sua rentabilidade.

 

Ao identificar oportunidades e ameaças partir do monitoramento , é possível desenvolver um conhecimento aplicável de negócios. É o momento em que os dados geram insights (sugestões, oportunidades, conclusões), criando oportunidades para a construção de uma estratégia que vai além dos relatórios. Este conhecimento pode tornar-se “knowledge” ou sabedoria de várias formas:

  • Perfilização dos usuários: no monitoramento, é possível identificar gênero, comportamento, localização, linguagem, hábitos. Com a perfilização, temos o cenário traçado para criar campanhas ligadas ao público que conhece a marca (menções diretas ou indiretas) ou desconhece-a (universo analisado);
  • Painel do sentimento dos usuários em relação à marca: a classificação das menções por sentimento (positivas, negativas, neutras), além de utilizar marcadores (tags) dos principais assuntos (reclamações, produtos ou serviços mais falados e bem como o sentimento bom ou ruim de cada um deles) permite identificar quais são as oportunidades e ameaças de quem é top of mind, lembra da marca ou reconhece a marca
  • Benchmarks: um monitoramento mostra a sua marca. Mas monitorar o seu concorrente mostrará se ele possui sentimento/percepção melhor que o seu, se o público é composto de mais “tops of mind”, se o seu público é similar (“deu match) e até se se existe algum produto que ele não fez e você pode fazer, aproveitando este target de mercado;
  • Novas oportunidades de negócios: produtos e serviços pedidos ou reclamados pelas pessoas, por exemplo, que podem ser levados às demais equipes de marketing da empresa.

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Odeia fofoletes? Let me know. dataismo@gmail.com

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.
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