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Social Analytics Summit 2016: pesquisa sobre o profissional de inteligência de mídias sociais no Brasil

Nos dias 25 e 26 de novembro aconteceu o Social Analytics Summit 2016. Este ano, o evento contou com a curadoria de Vinicius Ghise e Gabriel Ishida e temas como dashboards e inteligência em tempo real, etnografia, big data, influenciadores, dentre outros assuntos de interesse.

A pesquisa “O profissional de inteligência de mídias sociais no Brasil” é um retrato da área em nosso país e mostra o perfil detalhado, com dados sobre gênero, idade, demografia, salários, ferramentas, livros e blogs de referência, além dos influenciadores da área. O estudo foi criado por Tarcízio Silva e nos anos anteriores havia sido curada por Júnior Siri. Este ano, foi produzida e apresentada por Ana Cláudia Zandavalle, analista de Inteligência de Mídias Sociais, que trabalha desde 2011 na área de Inteligência Digital, com foco em monitoramento e métricas de mídias sociais. Atualmente, Zandavalle é Analista de Inteligência na Vert Inteligência Digital.

O profissional de inteligência em mídias sociais no mercado brasileiro

Demografia, gênero e formação

368 profissionais participaram da pesquisa deste ano, dos quais 59% ainda concentra-se no Sudeste. Existe relativo equilíbrio entre homens (48%) e mulheres (52%). Quanto aos salários, ainda existem grandes diferenças de gênero em cargos gerenciais, em especial o de diretor, que possui menor igualdade nos salários.

A maior parte dos profissionais de inteligência possui entre 26 e 32 anos, seguido de profissionais entre 18 a 25 anos – a maioria com graduação. A cada ano, notamos que existe uma evolução na especialização do profissional. O maior crescimento em 2016 foi na pós stricto sensu-mestrado/doutorado. É o maior percentual desde o início da pesquisa. São 10% dos profissionais (cursando/completo).

A variedade de cursos livres também aumentou, e notamos que as especializações tornam-se mais específicas, abordando temas como Big Data, inteligência do consumidor e do mercado.

Formação e estudos

 

Atualmente, o IBPAD é a instituição mais citada em cursos livres e recentemente lançou o livro gratuito “Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: metodologias, aplicações e inovações”. De acordo com o IBPAD, a publicação “reúne colaborações de uma rede de profissionais e pesquisadores que atuam em universidades, empresas e agências. Temas basilares, mas ainda controvertidos, como análise de sentimento, atendimento ao consumidor ou etnografia somam-se a aplicações e inovações que vão de reconhecimento de imagem a estudos sobre memes, compondo contribuição sólida ao campo.”

Influenciadores

Referências e influenciadores do profissional de inteligência no Brasil

Referências e influenciadores do profissional de inteligência no Brasil

Dentre os blogs e influenciadores, encontramos Tarcízio Silva, IBPAD (instituto de pesquisa), Sprinklr (ferramenta); Resultados Digitais (empresa focada em marketing de resultados); Meio&Mensagem, B9 e Adnews (publicações sobre do mercado publicitário), insightee (blog de Pedro Meirelles); Raquel Recuero (profissional), Rock Content (empresa focada em marketing de conteúdo).

De acordo com Ana Zandavalle, “foi possível perceber uma movimentação do mercado voltada para análise de redes.” Ela destaca que a ferramenta Gephi foi a única focada nessa especificidade a estar entre as 15 mais utilizadas pelos profissionais de inteligência. Zandavalle acrescenta que “paralelo a isso, a Raquel Recuero foi a 3º profissional de referência mais citada; teve dois de seus livros entre os mais citados (focados em análise de redes); além do seu blog como fonte de informação estar entre os top 10.”

Ferramentas

Ferramentas utilizadas pelo profissional de inteligência no Brasil

Ferramentas utilizadas pelo profissional de inteligência no Brasil

É interessante notar que muitas ferramentas utilizadas são gratuitas. Nos anos anteriores, o Iconosquare, até então com acesso livre para não pagantes,, era uma das referências para Instagram. Para agências menores ou áreas de inteligência que estão em seus primeiros passos, o valor das ferramentas pode ser uma limitação.

Projeto digital público em redes sociais

Publicações, artigos e blogs do profissional de inteligência no Brasil

Publicações, artigos e blogs do profissional de inteligência no Brasil

A maior parte dos profissionais (72%)  afirma ainda não possuir ou publicar trabalhos nas redes. Apesar de existirem blogs novos como o insightee (Pedro Meirelles), a porcentagem projetos publicados nas redes ainda é baixa. Para quem tem interesse em publicar, a pesquisadora Ana Cláudia Zandavalle publicou sobre como criar o seu portfólio digital, apresentado no SOCIAL MEDIA WEEK 2016. “Monitoramento de mídias sociais: construindo um portfólio público”:

Veja a pesquisa completa do profissional de inteligência aqui:

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

Dados fora da caixa: menos pesquisas W.E.I.R.D., mais abrangência em Business Intelligence

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A maior parte das pesquisas globais sobre economia, política e até de teorias comportamentais, seja no mundo acadêmico ou no mercado, são baseadas em dados coletados sobre pessoas padronizadas, que representam uma amostra muito limitada em relação à variedade de humanos que temos. Onde estão os indianos, os negros, os orientais, os gays e até… transexuais?

As pesquisas que só abordam determinada parcela da população são limitadas, globalmente publicadas e… chamadas de “pesquisas W.E.I.R.D.”. Elas podem ser reduzidas ao clichê de “precisamos sair da caixa” das pesquisas.

W.E.I.R.D., em pesquisa, significa:

  • Western (ocidental);
  • Educated (educação superior);
  • Industrialized (industrializado/urbano);
  • Rich (rico).
  • Democratic (democrata).

No Brasil, podemos traçar vários perfis de “pesquisas WEIRD”. Um deles é:

  • Branco;
  • Heterossexual;
  • Ensino superior;
  • Vive em grandes metrópoles;
  • Rico: é das classes A e B;
  • Liberal (posicionamento político).

O desafio no Brasil passa por várias camadas, especialmente raciais e sociais. Se dermos um breve Google, o volume de pesquisas sobre quem está fora do padrão é absurdamente menor. Nesta minoria temos moradores da periferia, classe D,  transgêneros, bissexuais, mães solteiras, casais homoafetivos que adotaram crianças, retirantes nordestinos (ad infinitum).

O desafio das “9 dots” ou “thinking outside the box”
Hora do jogo

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Ligue os pontos;
Use apenas quatro linhas retas;
Linhas devem ser conectadas (não dê o truque e tire a caneta do papel enquanto traça-as);
Você não pode refazer as linhas enquanto traça.

Para visualizar o resultado, clique aqui.

O resultado de ligar simples esferas é um paralelo matemático que podemos associar ao desafio ao pensar fora da caixa com as pesquisas, relatórios e soluções estratégicas. A “visão viciada” é comum, pois estamos ligamos mais ligados ao contexto do que já temos, às possibilidades concretas e aos pensamentos facilmente acessíveis.

As crianças costumam fazer o desafio das 9-dots com mais facilidade e rapidez do que os adultos. O “quebra a cabeça” é resolvido com menos “limitações de mundo”, menos conceitos pré-determinados. As crianças não possuem uma caixa clara ainda e usam a criatividade e experimentação. Em outras palavras, pensam sem limitação.

Christian Rudder a aplicação anti-W.E.I.R.D. no site OkCupid

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Em seu livro “Dataclysm – Who We Are (When We Think No One’s Looking)”, o autor Christian Rudder aborda, em alguns momentos, as pesquisas W.E.I.R.D., apontando que elas limitam a nossa visão total do que está acontecendo. Rudder é co-fundador do site OkCupid, um dos sites de relacionamentos gratuitos mais populares do mundo, com mais de 3,5 milhões de usuários.

Por meio de gráficos e de explicações para comportamentos dos usuários, Rudder comprova que sair da amostra tradicional mostra novos cenários – que é o caso de sua pesquisa no site OkCupid. Ao analisar um dos maiores sites de relacionamento do mundo, ele procura ir além das “pessoas tradicionais” das pesquisas W.E.I.R.D. e investiga, também, asiáticos, negros e latinos.

Ao perguntar-se sobre o quê a equipe do OkCupid sabia sobre o comportamento e quais dados tinham da parcela de asiáticos, negros e latinos, ele concluiu:

“Não há muito que você pode fazer com o fato de que, estatisticamente, a banda menos negra na Terra é Belle & Sebastian, ou que o flash instantâneo em uma foto faz uma pessoa sentir-se sete anos mais velho, exceto para dizer, e talvez repetí-la em um jantar”.

(Christian Rudder, no livro “Dataclysm: Who we are”)

E foi explorando as possibilidades de vários tipos de pessoas que Hudder chegou em dados sobre a possibilidade de encontros entre pessoas de diferentes raças se conhecerem. O gráfico abaixo é feito junto ao DateHookUp, plataforma independente adquirida pelo OkCupid e que mostra uma base de usuários com preconceitos básicos na hora de conhecer o seu “crush” fora da internet:

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  • Homens latinos e brancos são os que menos querem conhecer seus “dates” negros;
  • Mulheres latinas não costumam sair com homens asiáticos;
  • Mulheres brancas preferem sair com homens brancos;
  • Homens brancos preferem sair com mulheres brancas.

Fora da caixa

 

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Ok. A expressão “fora da caixa” surgiu há mais de 20 anos e hoje em dia não podemos dizer que este mote é “fora da caixa”, pois já tornou-se clichê e… resumido, inclusive. Atualmente, é usada frequentemente no marketing e na publicidade. Mas qual, realmente, a sua aplicação? Quantas campanhas e pesquisas podemos listar que possuem dados sobre as pessoas fora do eixo W.E.I.R.D., mas que são atuantes na sociedade, mas nem sempre possuem visibilidade?

Pensar fora da caixa é olhar além do que foi coletado nas pesquisas e pensar no espaço “vazio” que ainda existe, para ir além dele e compor uma amostra completa. Para criar insights “fora da caixa” e aplicar de forma a criar Business Intelligence:

Abrangência da pesquisa:
– Quais pessoas esta pesquisa engloba?
– Quais soluções podem ser aplicadas?
– Qual as ideias/insights/conhecimentos que as soluções sugerem?

 

Menos dadinho, mais big data:
(Para pensar no cenário total, e não apenas no que salta aos olhos)

– Lato sensu, em latim, significa “sentido amplo”. Utilizada frequentemente para caracterizar determinada interpretação que deve ser abordada no sentido lato (abrangente);
– “Lato” sim. A abrangência das pesquisas é fundamental para sair que elas abordam Contido em si, dar o sentido de inclusão de muitos dados ou muitos fatos inerentes ao assunto.

 

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Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.
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