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Pirâmide de Awareness no monitoramento de redes sociais

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De acordo com David Aaker, a única forma de alcançar crescimento de vendas no mercado atual é a criação de novos produtos ou serviços para atingir novos públicos ou manter os já conquistados (que estão em constante mudança).

Por outro lado, a competição no mercado geralmente “não move a agulha”, mesmo com orçamentos de marketing agressivos. Então, como as mídias sociais podem aumentar a oferta de criar uma novo target? “Há uma variedade de maneiras, mas o objetivo final deve ser o de criar uma comunidade que pode fornecer não apenas benefícios funcionais, mas também emocionais, sociais, e os benefícios de auto-expressão” (Aaker). Em outras palavras, uma das opções é transformar as mídias sociais em plataforma de conhecimento do consumidor, localizando oportunidades de negócios em comunidades, criando grupos e… monitorando!

Por meio do monitoramento de redes sociais, podemos identificar o panorama da marca, observar quem fala sobre ela, traçar necessidades, pontos positivos e negativos. Isto pode ocorrer com o monitoramento do buzz (o que foi falado) de forma espontânea, sem citar os canais da marca diretamente; de forma direta, com os comentários e replies diretos à marca; ou até por meio do universo que compõe a marca (grupos ou comunidades que fazem parte do recorte desta marca nas redes sociais.

Neste monitoramento, é importante mensurar o awareness, pedido em várias campanhas, especialmente de mídia. O awareness refere-se ao conhecimento ou percepção, está ligado à imagem da marca, e em como ela é percebida pelos clientes/consumidores. Mas… qual público esse awareness impactou? Será que, se fôssemos mensurar isto em dados,  além desse volume todo, poderíamos traçar dados de qualidade e mensurar a importância de quem foi impactado?

 

Conhecendo o cliente e o público
~Refletindo~ antes de usar os conceitos e a Pirâmide de Awareness

Existem muitas questões interessantes que o conceito de awareness pode desmembrar. Estas perguntas nos ajudam a definir o que é a marca, quem é o seu público e qual cultura ela expõe no mercado. Basicamente, ajudam a traçar o contexto da comunicação. Isto é bem útil quando pensamos nas pessoas que conhecem, não conhecem ou amam a marca. E também podemos criar suposições enquanto fazemos o monitoramento de redes sociais. 😉

  • O seu negócio/cliente é sobre o quê?
  • Como acontece a captação e manutenção dos clientes?
  • Que tipo de informação é disponibilizada para os seus clientes e os clientes potenciais?
  • Como a marca diferencia-se dos concorrentes?
  • Quais os pontos mais fortes da marca?
  • Quais os pontos mais fracos da marca?
  • Qual a principal preocupação com a imagem dela?
  • Que tipo de imagem a marca gostaria de ter e qual a imagem que ela tem? (Igual àquele meme de “como me enxergam” versus “como eu me enxergo”, sabe?)
  • Como criar ou manter um bom relacionamento entre clientes, funcionários e fornecedores?
  • Quais são os principais nichos da sua marca? Qual o comportamento dessas pessoas?
  • Quais os principais segmentos externos que impactam na sua marca? Exemplo: política, educação ou cultura.

 

Pirâmide de Awareness
David Aaker, em seu livro Brand Equity, expõe uma pirâmide que nos ajuda a mensurar este awareness todo:

 

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  • Top of mind: consumidores/clientes que tiveram e ainda têm uma experiência com a marca. Está associada à “realização” e enraizamento da cultura da marca.
    • Necessidades: fomentar e impulsionar as pessoas que fazem parte do topo da pirâmide para mantê-las neste status, oferecendo novidades e traçando o que as move, para nunca perdê-las de vista. Fazem parte dela os advogados (da marca), pessoas que podem, também, ser chamadas de “lovers” e irão defender aquela cultura, muitas vezes até argumentando com quem não está no topo da pirâmide.
    • Palavras-chave: lealdade, experiência.
  • Lembrança da marca: consumidores/clientes que já tiveram contato com a marca, mas não chegaram a desenvolver um relacionamento com ela. Podem ter confiança ou respeito.
    • Necessidade: observar o julgamento e as sensações destes usuários em relação às suas primeiras experiências. Eles estão próximos dos “top of mind”, assim como podem desistir da marca. 🙁
    • Palavras-chave: memória, emoções, oportunidades, desenvolvimento.
  • Reconhecimento da marca: pessoas que sabem qual a marca, já foram impactadas por ela em algum momento, mas não construíram nenhuma experiência com ela.
    • Necessidades: ver quais passos faltam, na jornada do consumidor, para ele que possa “subir” nesta pirâmide.
    • Palavras-chave: inconsciente, imagem, sensação.
  • Desconhecimento da marca: quando a marca é uma “unaware brand” para estes usuários. Nâo iremos achá-las no monitoramento direito ou indireto, mas podemos identificá-las no universo da qual a marca faz parte.
    • Necessidade: reposicionamento. Saber o contexto em que eles estão inseridos: o porquê de ainda não conhecerem a marca. Será que faltou oportunidade? É hora de discussão, investigação e conhecimento das necessidades deste grupo.
    • Palavras-chave: ausência.

 

Exemplificando a pirâmide:

Vamos supor que estamos com uma campanha gerar para awareness para as bonecas Fofoletes. As Fofoletes foram bonecas colecionáveis, pequeninas, fofas, porém levemente assustadoras, que fizeram muito sucesso nos anos 1980 e a sua fama se espalhou pelos anos 1990… Uma campanha para fomentar a compra de Fofoletes teria sido criada, online e offline, e um monitoramento com as palavras FOFOLETE e FOFOLETES está rodando. Se fôssemos aplicar a divisão entre os elementos desta pirâmide, podemos organizá-las em:

  • Top of mind: colecionadoras e colecionadores de Fofoletes;
  • Lembrança da marca: adultos que já compraram e ganharam Fofoletes quando crianças, mas atualmente não são consumidores de Fofoletes;
  • Reconhecimento da marca: jovens acima de 25 anos que sabem o que são as Fofoletes, mas nunca tiveram uma;
  • Desconhecimento da marca: em nossa suposiçao, identificamos que existem menções apenas de homens e mulheres adultos na amostra analisada. Logo, não existem adolescentes falando do produto. Se a amostra for alta e confirmarmos esta suposição, é possível que a maior parte dos jovens das gerações X e Y não saibam da existência das bonecas. Eles só podem vir a conhecer a marca caso a campanha consiga atingí-los.

 

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Elementos para construir inteligência de negócios neste awareness todo

Nesta pirâmide, temos oportunidades ou ameaças? Talvez os dois. 🙁

O artigo Strategic Marketing Management: Building a Foundation for Your Future (University of Florida) descreve ambos:

As oportunidades são os fatores externos ou situações que oferecem potencial para se aproximar ou chegar mais rapidamente às metas da empresa. Por exemplo, alterar a preferência dos consumidores por conveniência pode ser uma oportunidade para a sua empresa.

As ameaças são os fatores externos ou situações que possam limitar, restringir ou impedir a empresa na busca de metas. Por exemplo, os novos regulamentos podem elevar o custo de produção, resultando em uma ameaça para a sua rentabilidade.

 

Ao identificar oportunidades e ameaças partir do monitoramento , é possível desenvolver um conhecimento aplicável de negócios. É o momento em que os dados geram insights (sugestões, oportunidades, conclusões), criando oportunidades para a construção de uma estratégia que vai além dos relatórios. Este conhecimento pode tornar-se “knowledge” ou sabedoria de várias formas:

  • Perfilização dos usuários: no monitoramento, é possível identificar gênero, comportamento, localização, linguagem, hábitos. Com a perfilização, temos o cenário traçado para criar campanhas ligadas ao público que conhece a marca (menções diretas ou indiretas) ou desconhece-a (universo analisado);
  • Painel do sentimento dos usuários em relação à marca: a classificação das menções por sentimento (positivas, negativas, neutras), além de utilizar marcadores (tags) dos principais assuntos (reclamações, produtos ou serviços mais falados e bem como o sentimento bom ou ruim de cada um deles) permite identificar quais são as oportunidades e ameaças de quem é top of mind, lembra da marca ou reconhece a marca
  • Benchmarks: um monitoramento mostra a sua marca. Mas monitorar o seu concorrente mostrará se ele possui sentimento/percepção melhor que o seu, se o público é composto de mais “tops of mind”, se o seu público é similar (“deu match) e até se se existe algum produto que ele não fez e você pode fazer, aproveitando este target de mercado;
  • Novas oportunidades de negócios: produtos e serviços pedidos ou reclamados pelas pessoas, por exemplo, que podem ser levados às demais equipes de marketing da empresa.

* * *
Odeia fofoletes? Let me know. dataismo@gmail.com

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.

A prevenção de suicídio, o Facebook e a netnografia

2015-09-10

Artigo por Gio Sacche*

Pelo primeiro ano, a campanha #SetembroAmarelo ganha força no Brasil. Seu objetivo é dar visibilidade e fomentar a prevenção de um problema de saúde pública: a morte prematura causada pelo suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa tira a sua vida.

A Ju Dias e eu achamos que seria atual lembrar esse importante trabalho de prevenção ao suicídio pois hoje é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (World Suicide Prevention Day). No evento oficial da organização Internal Association of Suicide Prevention (IASP), especializada na luta, várias pessoas enviaram fotos de velas acesas em homenagem a pessoas que perderam ou para lembrar da discussão do assunto. As luzes são um símbolo de resistência e do que não pode se apagar: a vida. Ou, como diria a música do cantor Morrissey: “there is a light never goes out”. 😉

Há dois anos, o Facebook anunciou que se uniu ao grupo americano Save para ampliar a ação que a rede que fazia desde 2011, a prevenção de suicídio de seus usuários. O objetivo do Save é… salvar. 🙂

E, aproveitando as informações disponíveis online, existe muito mais que pode ajudar as pessoas a não terem uma morte prematura!

A dor do suicídio é silenciosa, mas os números são gritantes

Segundo dados do grupo Save, o suicídio é a terceira maior causa de mortes entre jovens entre 15 e 24 anos. Anualmente, cerca de 780 mil suicídios são cometidos. E a taxa de suicídios cresceu 60% nos últimos 50 anos. De acordo com a Revista Mundo Estranho/Superintessante, até o fim de 2007, a média de suicídios ao redor do planeta chega à marca de uma morte a cada 30 segundos. E pior: estima-se que, para cada pessoa que comete suicídio, existem pelo menos outras 20 que tentaram, mas não conseguiram consumar o ato. Esses números levaram a Organização Mundial da Saúde a criar diversas ações, como a conscientização especial no dia 10 de setembro.

O importante trabalho da Save

O pilar da organização é lidar com sentimentos e alertas:

“Acreditamos que o suicídio é evitável e que a prevenção do suicídio funciona. A fim de cumprir a nossa missão e objetivos, nós usamos o modelo de saúde pública, juntamente com campanhas de mídia e educação para aumentar a consciência de suicídio. Nós usamos uma abordagem educativa para dissipar os mitos sobre o suicídio e permitir que os outros saibam sobre as realidades que o cercam. É o que o ex-Cirurgião Geral dos EUA Dr. David Satcher chama de “crise de saúde pública”.

 

Eles fornecem material especializado para espalhar informações e ajudar a desfazer o tabu do suicídio:

“Livros educativos para jovens e adultos estão disponíveis para os programas de prevenção da comunidade, escolas, profissionais de saúde, empresas e indivíduos envolvidos com a prevenção do suicídio. Essas ferramentas valiosas são uma excelente oportunidade para construir a conscientização da comunidade, bem como ajudar aqueles em necessidade”.

 

A parceria da Save com o Facebook e as suas implicações

A parceria com a rede social potencializa o trabalho de prevenção, pois o Facebook afirma que atualmente conta com 800 milhões de usuários ativos e mais de bilhão de perfis cadastrados. A rede social já trabalhava com a profilaxia de suicídio, mas baseando-se nas denúncias de amigos do potencial suicida. Com a união com o grupo Save, o Facebook mapeia as informações de suicidas com o intuito de traçar comportamentos semelhantes. O uso dos dados irá identificar potenciais suicidas e planejar ações para a prevenção de novos casos de jovens que, por ventura, desejam abreviar as suas vidas.

 

 

O cruzamento de dados da netnografia do Facebook no mapeamento

Atualmente, sabemos que as principais causas estão a depressão, bipoloridade, esquizofrenia, outras doenças psiquiátricas, vícios em drogas, em álcool e acontecimentos marcantes (com a perda de um ente querido). O estudo pode ser feito:

Levando-se em conta páginas que os usuários que cometeram suicídio curtiram;

– Palavras ou termos mais utilizados, mensagens de familiares e amigos (que possam conter as motivações que o indivíduo teve).

Geolocalização: centros psiquiátricos, grupos de ajuda, sucessivos check-ins em casa (o que significa que a pessoa não costuma sair com frequência, acompanhados de comentários agregados nos check-ins, do tipo “não quero sair”, “não há vida lá fora”).

– Acompanhamento do cotidiano da vítima.

 

Com o uso de algoritmos, o Facebook não precisa mais de denúncias de amigos e pessoas próximas quando uma pessoa demonstrar vontade de tirar a própria vida. A rede pode entrar em contato direto para poder prevenir o pior.

Para mim, é reconfortante saber que uma das redes mais populares tem interesse e usará as informações que os usuários confiam (no sentido de divulgar dados de seu cotidiano) para realizar um estudo tão importante.

Ao buscarmos os termos suicídio e Facebook, damo-nos conta de quantos casos são anunciados e descritos nas redes sociais e podem ser prevenidos com o diagnóstico precoce e tratamento correto. O que me deixa feliz é que para isso os pesquisadores utilizaram técnicas de netnografia para coleta desses dados e para a análise e que ela será em prol da vida humana.

 

* Gio Salles trabalha com números, mas é de humanas.
BI da DM9DDB, feminista e ciclista wannabe.

Twitter: @caragliogio
Facebook: Gio Sacche
Instagram: @giosacche

Potiguar, retirante e dataísta. Marketing Digital com foco em Business Intelligence, estratégia e monitoramento de mídias sociais.
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