Dataísmo

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Dados fora da caixa: menos pesquisas W.E.I.R.D., mais abrangência em Business Intelligence

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A maior parte das pesquisas globais sobre economia, política e até de teorias comportamentais, seja no mundo acadêmico ou no mercado, são baseadas em dados coletados sobre pessoas padronizadas, que representam uma amostra muito limitada em relação à variedade de humanos que temos. Onde estão os indianos, os negros, os orientais, os gays e até… transexuais?

As pesquisas que só abordam determinada parcela da população são limitadas, globalmente publicadas e… chamadas de “pesquisas W.E.I.R.D.”. Elas podem ser reduzidas ao clichê de “precisamos sair da caixa” das pesquisas.

W.E.I.R.D., em pesquisa, significa:

  • Western (ocidental);
  • Educated (educação superior);
  • Industrialized (industrializado/urbano);
  • Rich (rico).
  • Democratic (democrata).

No Brasil, podemos traçar vários perfis de “pesquisas WEIRD”. Um deles é:

  • Branco;
  • Heterossexual;
  • Ensino superior;
  • Vive em grandes metrópoles;
  • Rico: é das classes A e B;
  • Liberal (posicionamento político).

O desafio no Brasil passa por várias camadas, especialmente raciais e sociais. Se dermos um breve Google, o volume de pesquisas sobre quem está fora do padrão é absurdamente menor. Nesta minoria temos moradores da periferia, classe D,  transgêneros, bissexuais, mães solteiras, casais homoafetivos que adotaram crianças, retirantes nordestinos (ad infinitum).

O desafio das “9 dots” ou “thinking outside the box”
Hora do jogo

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Ligue os pontos;
Use apenas quatro linhas retas;
Linhas devem ser conectadas (não dê o truque e tire a caneta do papel enquanto traça-as);
Você não pode refazer as linhas enquanto traça.

Para visualizar o resultado, clique aqui.

O resultado de ligar simples esferas é um paralelo matemático que podemos associar ao desafio ao pensar fora da caixa com as pesquisas, relatórios e soluções estratégicas. A “visão viciada” é comum, pois estamos ligamos mais ligados ao contexto do que já temos, às possibilidades concretas e aos pensamentos facilmente acessíveis.

As crianças costumam fazer o desafio das 9-dots com mais facilidade e rapidez do que os adultos. O “quebra a cabeça” é resolvido com menos “limitações de mundo”, menos conceitos pré-determinados. As crianças não possuem uma caixa clara ainda e usam a criatividade e experimentação. Em outras palavras, pensam sem limitação.

Christian Rudder a aplicação anti-W.E.I.R.D. no site OkCupid

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Em seu livro “Dataclysm – Who We Are (When We Think No One’s Looking)”, o autor Christian Rudder aborda, em alguns momentos, as pesquisas W.E.I.R.D., apontando que elas limitam a nossa visão total do que está acontecendo. Rudder é co-fundador do site OkCupid, um dos sites de relacionamentos gratuitos mais populares do mundo, com mais de 3,5 milhões de usuários.

Por meio de gráficos e de explicações para comportamentos dos usuários, Rudder comprova que sair da amostra tradicional mostra novos cenários – que é o caso de sua pesquisa no site OkCupid. Ao analisar um dos maiores sites de relacionamento do mundo, ele procura ir além das “pessoas tradicionais” das pesquisas W.E.I.R.D. e investiga, também, asiáticos, negros e latinos.

Ao perguntar-se sobre o quê a equipe do OkCupid sabia sobre o comportamento e quais dados tinham da parcela de asiáticos, negros e latinos, ele concluiu:

“Não há muito que você pode fazer com o fato de que, estatisticamente, a banda menos negra na Terra é Belle & Sebastian, ou que o flash instantâneo em uma foto faz uma pessoa sentir-se sete anos mais velho, exceto para dizer, e talvez repetí-la em um jantar”.

(Christian Rudder, no livro “Dataclysm: Who we are”)

E foi explorando as possibilidades de vários tipos de pessoas que Hudder chegou em dados sobre a possibilidade de encontros entre pessoas de diferentes raças se conhecerem. O gráfico abaixo é feito junto ao DateHookUp, plataforma independente adquirida pelo OkCupid e que mostra uma base de usuários com preconceitos básicos na hora de conhecer o seu “crush” fora da internet:

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  • Homens latinos e brancos são os que menos querem conhecer seus “dates” negros;
  • Mulheres latinas não costumam sair com homens asiáticos;
  • Mulheres brancas preferem sair com homens brancos;
  • Homens brancos preferem sair com mulheres brancas.

Fora da caixa

 

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Ok. A expressão “fora da caixa” surgiu há mais de 20 anos e hoje em dia não podemos dizer que este mote é “fora da caixa”, pois já tornou-se clichê e… resumido, inclusive. Atualmente, é usada frequentemente no marketing e na publicidade. Mas qual, realmente, a sua aplicação? Quantas campanhas e pesquisas podemos listar que possuem dados sobre as pessoas fora do eixo W.E.I.R.D., mas que são atuantes na sociedade, mas nem sempre possuem visibilidade?

Pensar fora da caixa é olhar além do que foi coletado nas pesquisas e pensar no espaço “vazio” que ainda existe, para ir além dele e compor uma amostra completa. Para criar insights “fora da caixa” e aplicar de forma a criar Business Intelligence:

Abrangência da pesquisa:
– Quais pessoas esta pesquisa engloba?
– Quais soluções podem ser aplicadas?
– Qual as ideias/insights/conhecimentos que as soluções sugerem?

 

Menos dadinho, mais big data:
(Para pensar no cenário total, e não apenas no que salta aos olhos)

– Lato sensu, em latim, significa “sentido amplo”. Utilizada frequentemente para caracterizar determinada interpretação que deve ser abordada no sentido lato (abrangente);
– “Lato” sim. A abrangência das pesquisas é fundamental para sair que elas abordam Contido em si, dar o sentido de inclusão de muitos dados ou muitos fatos inerentes ao assunto.

 

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Are you weird? Fale com o dataismo@gmail.com 😉

#RipStar: saem as estrelas de favoritos, entram os corações de curtir no Twitter

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Neste início de novembro, o Twitter mudou uma de suas funcionalidades mais utilizadas: o botão da estrela, chamado de favorito (⭐), que tornou-se o “coraçãozinho” de curtir (❤). De acordo com a rede social, a mudança expressa a mudança do comportamento do usuário e universaliza a linguagem no Twitter. A plataforma é considerada de nicho, abrangendo pequenos grupos que utilizam-na ativamente.

“Você pode gostar um monte de coisas, mas nem tudo pode ser seu favorito (…). O coração, por outro lado, é um símbolo universal que ecoa através das línguas, culturas e fusos horários. O coração é mais expressivo, permitindo transmitir uma gama de emoções e conectar-se mais facilmente com as pessoas”, explicou Akarshan Kumar, Product Manager do Twitter.

O The Verge expressou uma opinião comum à boa parte dos usuários brasileiros:

“A estrela não é um coração. Um favorito não é curtir. O último lançamento de engajamento no Twitter é um pouco menos versátil, um pouco menos poderoso, um pouco mais comprimido. Como o Twitter Moments, a sua grande aposta é nos usuários casuais, cujos gostos do Twitter são básicos, em todos os sentidos da palavra.”

Para os heavy users – usuários que utilizam com frequência, acompanham cada evolução e podem até ser fãs – essa mudança significa rever os sentimentos sobre o que se favorita.

Notamos que, no Brasil, os heavy users utilizavam o favorito como forma de guardar os tweet – é uma forma de dizer que “lê depois” ou até, de dizer “eu vi”, curtir ou de rancor. Para estas pessoas, mudar é diminuir o significado da funcionalidade.

❤ Crescimento e engajamento do Twitter

A base de usuários ativos por mês obteve o crescimento baixo nos últimos períodos, especialmente se comparado ao Facebook:

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Quanto ao engajamento, o Twitter aumentou o volume de interações no último período:

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Fonte dos gráficos: Fortune e Twitter

❤  Resta saber se, utilizando uma linguagem mais acessível e universal de “amor” o Twitter consegue aumentar a sua base de usuários ativos e se, com a mudança da estrela para o coração, este número de interações continuará a crescer, especialmente os usuários fora do nicho que ele conquistou. Afinal, o crescimento será fundamental para desenvolver a plataforma, que com o investimento de ads pode voltar a crescer o valor das ações e, principalmente, das marcas em publicidade nesta rede social.

 

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Veja a Collection do Twitter com informações e impressões sobre a nova opção de CURTIR:


A invasão dos emojis

Entrevista sobre emojis para a TV Gazeta Online 🎤👩💬
Publicada em setembro de 2015

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A invasão dos emojis

 Eles nos ajudam a expressar emoções, sentimentos e representar situações envolvendo diferentes atividades cotidianas
Por Mariana Lima Pereira | TV Gazeta Online

Já são mais de mil opções de emojis disponíveis para compor mensagens compartilhadas diariamente, no mundo todo, em redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e WhatsApp. Você não sabe o que é um emoji? Na verdade, sabe:

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O impacto dos emojis em nossas vidas não se restringe apenas às conversas entre amigos ou familiares, por exemplo. Também tem a ver com a relação de consumo que envolve tanto o processo de compra e venda de produtos quanto a difusão de notícias.

De onde surgiram? Como sobrevivem?

Desde que Shigetaka Kurita deu forma ao primeiro emoji, no Japão, na década de 1990, as transformações provocadas por esses símbolos chamam a atenção. Nascidos de uma necessidade de se simplificar mensagens trocadas por meio de bipes, os emojis ajudam a expressar sentimentos, complementando o sentido daquilo que se quer dizer e, por vezes, traduzem atividades cotidianas como indicar a refeição que estamos fazendo ou um lugar que estamos visitando.

Os emojis podem ser considerados como a evolução dos emotions, criados nos anos 1980 por Scott Fahlman com o intuito de atenuar os tons das mensagens trocadas em um grupo de discussão do departamento de física da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, onde Fahlman é professor assistente de pesquisa em ciência da computação.Com a massificação do uso dos emojis em diferentes países, sobretudo a partir do momento em que a Apple disponibilizou um teclado exclusivo para esses símbolos na versão iOS 4 de seu sistema operacional, lançada em 2007, sendo seguida pelas também gigantes da tecnologia Google e Microsoft – com seus sistemas Android e Windows Phone, tornou-se necessária a organização de novos itens.

A palavra emoji, em sua tradução possível para a língua portuguesa, expressa as ideias de imagem (e) escrita (mo) e personagem (ji). Inicialmente, a biblioteca de emojis disponíveis continua somente 172 opções. E a responsável por essa tarefa é a Unicode Consortium, uma organização sem fins lucrativos. A partir de 2010, ela padroniza os temas dos emojis presentes nas plataformas móveis para além do território japonês. Vale destacar que a aparência desses símbolos é definida por cada empresa, mediante preservação do significado do emoji.

A contribuição dos usuários de internet é considerada no momento da definição dos novos emojis. As sugestões podem ser enviadas por meio de petições on-line para avaliações do Unicode Consortium. Tal colaboração resultou, entre outras coisas, na diversificação racial e sexual dos emojis.

Smartphones unidos

A massificação no uso de smartphone, associada à ideia de mobilidade, ajuda a entender porque os símbolos tomam o lugar das palavras em diferentes ocasiões. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2014, divulgada em setembro de 2015 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, há uma preferência dos brasileiros pelo acesso à internet via telefone celular (76%) em comparação ao uso de computadores de mesa (54%), notebook (46%) e tablet (22%).

Ainda segundo a pesquisa, 47% dos brasileiros com 10 anos ou mais fizeram uso de dispositivos móveis em 2014 e 84% indicou o acesso diário ou quase todo os dias por meio exclusivo de telefones celulares.O envio de mensagens instantâneas por meio de chats e aplicativos de conversação foi a atividade mais comum entre os usuários de internet durante os três meses anteriores à realização da pesquisa para a TIC Domicílios 2014, sendo que a presença em redes sociais também se destaca no país, atingindo 76% da participação dos usuários.

Como muitos desses aparelhos móveis trazem embutidos teclados específicos para inclusão de emojis, a criatividade acaba por se destacar, gerando ações orgânicas que permitem a comunicação em torno de um tema comum, seja algo de utilidade pública ou uma simples brincadeira, por usuários de todo o mundo, em uma linguagem quase universal.

No Twitter, recentemente, usuários propuseram um karaokê mesclando emojis e letras de música por meio da hashtag #Emojike.

A jornalista Juliana Freitas, que trabalha com inteligência de negócios e desenvolve trabalhos ligados às áreas de monitoramento e métricas, participou da ação: “Música é uma coisa que sempre faz parte da minha vida. Essas ações são mais pela diversão, com a intenção de fazer parte daquele grupo e, quando eu me identifico, acabo participando.”, conta.

Responsável por um blog sobre dados coletados por meio das redes sociais, o Dataísmo, Juliana publica até mesmo o resultado de suas pesquisas com o auxílio de emojis.

E é o Instagram a rede social que, atualmente, mais tem compartilhamentos envolvendo emojis. “Em março de 2015, metade dos usuários dessa rede social usaram emojis em seus comentários, em vez de palavras. A maior parte deles pertence às gerações X e Y e são os que mais usam emojis no dia a dia.”, diz Juliana.

 

Emoji também é… marketing!

De olho nesse segmento, muitas são as marcas que apostam nos emojis para conseguir estabelecer comunicação com potenciais consumidores. O marketing digital é uma realidade que permeia o discurso publicitário e, mais timidamente, o jornalístico.“Com a popularização das mídias sociais, visa-se cada vez mais formas instantâneas de comunicação. Assim, os emojis são uma forma de tornar a forma de comunicar mais palpável, simples e antenada com as tendências apresentadas pelos atuais meios de comunicação, sobretudo os aplicativos de mensagens instantâneas.”, explicar Soraia Lima, consultora de marketing digital e professora em cursos de graduação e pós-graduação de comunicação e mídias digitais.

O uso de imagens sempre esteve presente na comunicação e, de acordo com Soraia, o marketing digital apenas se apropriou de algo presente nas trocas comunicacionais do dia a dia, estabelecendo uma conexão possível para as mídias mais tradicionais.

Algumas empresas já direcionam parte de seu planejamento de comunicação digital para campanhas baseadas em emojis com o intuito de humanizar o relacionamento envolvendo publicidade e consumidores é cada vez mais comum a intenção do engajamento, uma das características do marketing digital, com o objetivo de comercialização de produtos.É o caso da Coca-Cola, que criou uma campanha, em Porto Rico, baseada em um website cujo endereço é formado por um emoji, e do Itaú, que produziu comerciais sobre diferentes assuntos utilizando apenas símbolos, além de áudio.

O uso de emojis na comunicação de marcas, tanto de consumo quanto jornalísticas, por meio das redes sociais é, segundo Soraia Lima, uma estratégia ousada: “As marcas devem lembrar quem é o seu público e qual o seu objetivo em usar os emojis como forma de enviar mensagens. Isso porque nem sempre elas serão eficazes com todos os usuários.”.

Nem todos os casos, campanhas e marcas conseguem alcançar clareza na comunicação apenas com mensagens formadas por emojis, diz Soraia. “As marcas devem perceber se tal posicionamento, mesmo sendo uma estratégia de marketing digital, é assertiva com a estratégia pensada para o seu público. Um usuário mais velho, por exemplo, pode não entender determinada linguagem ou posicionamento da mensagem, o que pode afastar o público em vez de aproximá-lo.”

O poder de opinião que os emojis podem carregar deve ser observado na hora de pensar em usá-los na linguagem jornalística. “Se pensarmos nos cânones do jornalismo, não se misturam fatos e opiniões. Então é preciso atentar para qual tipo de comunicação queremos estabelecer, se opinativa ou factual. Se for somente factual, realmente não cabe [usar emojis].”, afirma a Profa. Dra. Helena Jacob, coordenadora do curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

De acordo com ela, no caso do jornalismo, editorias como gastronomia e moda, assim como publicações voltadas para públicos específicos como adolescentes e mulheres, parecem absorver melhor o uso da linguagem permeada por emojis.Um exemplo disso é um vídeo, publicado no site da jornalista de moda Lilian Pacce, feito durante a última edição da São Paulo Fashion Week e que trazia avaliações de estilos feitas com a ajuda de emojis.Outra possibilidade de uso dos emojis no jornalismo, segundo Helena Jacob, são as redes sociais das marcas jornalísticas, que nesses ambientes, podem usufruir de uma linguagem menos formal. Emojis funcionam bem para respostas imediatas. Acho que o uso [de emojis nas redes sociais de marcas jornalísticas] é um prolongamento do jornalismo e não o descaracteriza.”.

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Originalmente publicado em TV Gazeta Online. Veja artigo completo no site da TV Gazeta. 😉 📖

Pirâmide de Awareness no monitoramento de redes sociais

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De acordo com David Aaker, a única forma de alcançar crescimento de vendas no mercado atual é a criação de novos produtos ou serviços para atingir novos públicos ou manter os já conquistados (que estão em constante mudança).

Por outro lado, a competição no mercado geralmente “não move a agulha”, mesmo com orçamentos de marketing agressivos. Então, como as mídias sociais podem aumentar a oferta de criar uma novo target? “Há uma variedade de maneiras, mas o objetivo final deve ser o de criar uma comunidade que pode fornecer não apenas benefícios funcionais, mas também emocionais, sociais, e os benefícios de auto-expressão” (Aaker). Em outras palavras, uma das opções é transformar as mídias sociais em plataforma de conhecimento do consumidor, localizando oportunidades de negócios em comunidades, criando grupos e… monitorando!

Por meio do monitoramento de redes sociais, podemos identificar o panorama da marca, observar quem fala sobre ela, traçar necessidades, pontos positivos e negativos. Isto pode ocorrer com o monitoramento do buzz (o que foi falado) de forma espontânea, sem citar os canais da marca diretamente; de forma direta, com os comentários e replies diretos à marca; ou até por meio do universo que compõe a marca (grupos ou comunidades que fazem parte do recorte desta marca nas redes sociais.

Neste monitoramento, é importante mensurar o awareness, pedido em várias campanhas, especialmente de mídia. O awareness refere-se ao conhecimento ou percepção, está ligado à imagem da marca, e em como ela é percebida pelos clientes/consumidores. Mas… qual público esse awareness impactou? Será que, se fôssemos mensurar isto em dados,  além desse volume todo, poderíamos traçar dados de qualidade e mensurar a importância de quem foi impactado?

 

Conhecendo o cliente e o público
~Refletindo~ antes de usar os conceitos e a Pirâmide de Awareness

Existem muitas questões interessantes que o conceito de awareness pode desmembrar. Estas perguntas nos ajudam a definir o que é a marca, quem é o seu público e qual cultura ela expõe no mercado. Basicamente, ajudam a traçar o contexto da comunicação. Isto é bem útil quando pensamos nas pessoas que conhecem, não conhecem ou amam a marca. E também podemos criar suposições enquanto fazemos o monitoramento de redes sociais. 😉

  • O seu negócio/cliente é sobre o quê?
  • Como acontece a captação e manutenção dos clientes?
  • Que tipo de informação é disponibilizada para os seus clientes e os clientes potenciais?
  • Como a marca diferencia-se dos concorrentes?
  • Quais os pontos mais fortes da marca?
  • Quais os pontos mais fracos da marca?
  • Qual a principal preocupação com a imagem dela?
  • Que tipo de imagem a marca gostaria de ter e qual a imagem que ela tem? (Igual àquele meme de “como me enxergam” versus “como eu me enxergo”, sabe?)
  • Como criar ou manter um bom relacionamento entre clientes, funcionários e fornecedores?
  • Quais são os principais nichos da sua marca? Qual o comportamento dessas pessoas?
  • Quais os principais segmentos externos que impactam na sua marca? Exemplo: política, educação ou cultura.

 

Pirâmide de Awareness
David Aaker, em seu livro Brand Equity, expõe uma pirâmide que nos ajuda a mensurar este awareness todo:

 

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  • Top of mind: consumidores/clientes que tiveram e ainda têm uma experiência com a marca. Está associada à “realização” e enraizamento da cultura da marca.
    • Necessidades: fomentar e impulsionar as pessoas que fazem parte do topo da pirâmide para mantê-las neste status, oferecendo novidades e traçando o que as move, para nunca perdê-las de vista. Fazem parte dela os advogados (da marca), pessoas que podem, também, ser chamadas de “lovers” e irão defender aquela cultura, muitas vezes até argumentando com quem não está no topo da pirâmide.
    • Palavras-chave: lealdade, experiência.
  • Lembrança da marca: consumidores/clientes que já tiveram contato com a marca, mas não chegaram a desenvolver um relacionamento com ela. Podem ter confiança ou respeito.
    • Necessidade: observar o julgamento e as sensações destes usuários em relação às suas primeiras experiências. Eles estão próximos dos “top of mind”, assim como podem desistir da marca. :(
    • Palavras-chave: memória, emoções, oportunidades, desenvolvimento.
  • Reconhecimento da marca: pessoas que sabem qual a marca, já foram impactadas por ela em algum momento, mas não construíram nenhuma experiência com ela.
    • Necessidades: ver quais passos faltam, na jornada do consumidor, para ele que possa “subir” nesta pirâmide.
    • Palavras-chave: inconsciente, imagem, sensação.
  • Desconhecimento da marca: quando a marca é uma “unaware brand” para estes usuários. Nâo iremos achá-las no monitoramento direito ou indireto, mas podemos identificá-las no universo da qual a marca faz parte.
    • Necessidade: reposicionamento. Saber o contexto em que eles estão inseridos: o porquê de ainda não conhecerem a marca. Será que faltou oportunidade? É hora de discussão, investigação e conhecimento das necessidades deste grupo.
    • Palavras-chave: ausência.

 

Exemplificando a pirâmide:

Vamos supor que estamos com uma campanha gerar para awareness para as bonecas Fofoletes. As Fofoletes foram bonecas colecionáveis, pequeninas, fofas, porém levemente assustadoras, que fizeram muito sucesso nos anos 1980 e a sua fama se espalhou pelos anos 1990… Uma campanha para fomentar a compra de Fofoletes teria sido criada, online e offline, e um monitoramento com as palavras FOFOLETE e FOFOLETES está rodando. Se fôssemos aplicar a divisão entre os elementos desta pirâmide, podemos organizá-las em:

  • Top of mind: colecionadoras e colecionadores de Fofoletes;
  • Lembrança da marca: adultos que já compraram e ganharam Fofoletes quando crianças, mas atualmente não são consumidores de Fofoletes;
  • Reconhecimento da marca: jovens acima de 25 anos que sabem o que são as Fofoletes, mas nunca tiveram uma;
  • Desconhecimento da marca: em nossa suposiçao, identificamos que existem menções apenas de homens e mulheres adultos na amostra analisada. Logo, não existem adolescentes falando do produto. Se a amostra for alta e confirmarmos esta suposição, é possível que a maior parte dos jovens das gerações X e Y não saibam da existência das bonecas. Eles só podem vir a conhecer a marca caso a campanha consiga atingí-los.

 

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Elementos para construir inteligência de negócios neste awareness todo

Nesta pirâmide, temos oportunidades ou ameaças? Talvez os dois. :(

O artigo Strategic Marketing Management: Building a Foundation for Your Future (University of Florida) descreve ambos:

As oportunidades são os fatores externos ou situações que oferecem potencial para se aproximar ou chegar mais rapidamente às metas da empresa. Por exemplo, alterar a preferência dos consumidores por conveniência pode ser uma oportunidade para a sua empresa.

As ameaças são os fatores externos ou situações que possam limitar, restringir ou impedir a empresa na busca de metas. Por exemplo, os novos regulamentos podem elevar o custo de produção, resultando em uma ameaça para a sua rentabilidade.

 

Ao identificar oportunidades e ameaças partir do monitoramento , é possível desenvolver um conhecimento aplicável de negócios. É o momento em que os dados geram insights (sugestões, oportunidades, conclusões), criando oportunidades para a construção de uma estratégia que vai além dos relatórios. Este conhecimento pode tornar-se “knowledge” ou sabedoria de várias formas:

  • Perfilização dos usuários: no monitoramento, é possível identificar gênero, comportamento, localização, linguagem, hábitos. Com a perfilização, temos o cenário traçado para criar campanhas ligadas ao público que conhece a marca (menções diretas ou indiretas) ou desconhece-a (universo analisado);
  • Painel do sentimento dos usuários em relação à marca: a classificação das menções por sentimento (positivas, negativas, neutras), além de utilizar marcadores (tags) dos principais assuntos (reclamações, produtos ou serviços mais falados e bem como o sentimento bom ou ruim de cada um deles) permite identificar quais são as oportunidades e ameaças de quem é top of mind, lembra da marca ou reconhece a marca
  • Benchmarks: um monitoramento mostra a sua marca. Mas monitorar o seu concorrente mostrará se ele possui sentimento/percepção melhor que o seu, se o público é composto de mais “tops of mind”, se o seu público é similar (“deu match) e até se se existe algum produto que ele não fez e você pode fazer, aproveitando este target de mercado;
  • Novas oportunidades de negócios: produtos e serviços pedidos ou reclamados pelas pessoas, por exemplo, que podem ser levados às demais equipes de marketing da empresa.

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Odeia fofoletes? Let me know. dataismo@gmail.com

Twitter Niche: reflexões sobre influenciadores, curadoria de conteúdo e engajamento

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Os criadores independentes têm influenciado as redes sociais diariamente, e sua audiência pode, muitas vezes, dar mais atenção a eles do que à marca. Nesta teia, os anunciantes podem encontrar uma forma de propagar sua mensagem de forma criativa, unindo entretenimento à publicidade.

Identificando este mercado já presente no Brasil, o Twitter encontrou no país uma forma de desenvolver sua plataforma, Niche, que surgiu nos Estados Unidos.

“Há muito tempo agências e marcas têm percebido que precisam ampliar o alcance de suas ações no universo digital para falar com a maior audiência possível, e o trabalho do Niche abre grandes possibilidades. Niche seleciona e categoriza os produtores de conteúdos, entende os objetivos de agências e marcas e faz a ponte entre essas empresas e os criadores mais adequados”.

(Guilherme Ribenboim, vice-presidente do Twitter para América Latina)

 

Influenciadores: qual a sua importância?

Os produtores de conteúdo, quando influenciadores, são figuras importantes no network – ou a “teia” em que as pessoas estão interligadas. São eles que impulsionam os assuntos, propagam a informação ou as hashtags, interagem com outras pessoas que também possuem relevância no assunto, abrem conversações e ainda podem gerar comentários, compartilhamentos ou retweets, por exemplo.

Os influenciadores são medidos não somente pela quantidade de seguidores que possuem, mas também por:

  • Relevância, comumente chamada de “voz de autoridade” ou conhecimento no segmento, seja ele de moda, beleza, entretenimento (tais como seriados, novelas, programação, eventos e afins), esportes, política e tantos outros assuntos que podemos listar;

Estas personas podem ser identificadas por meio da análise de conexões (usando um modelo de Social Media Analysis ou SNA), da observação de quais são os seus laços e de qual é a intensidade e relevância daquelas pessoas, por exemplo.

Atualmente, encontramos várias empresas do mercado que terceirizam este serviço, fornecendo o estudo dos influenciadores como um produto. E foi isso que o Twitter fez, mas de uma forma um pouco diferente da tradicional, explorando as suas próprias plataformas, como o Vine: pensando nessas pessoas que geram conteúdos interessantes (e nos quais os demais usuários estão de olho), focando na curadoria de conteúdo e na escolha dos melhores influenciadores do mercado.

A relevância da curadoria de conteúdo

Para muitas marcas, o Twitter é fonte de informação e funciona como um “termômetro”. Mas o que é o Twitter Niche? E quem determina quais são os influenciadores e como eles se organizam? Ou melhor, como diz o programa de tv: quem são, onde vivem, o que comem?

O Niche é um software que já existia independentemente do Twitter e foi adquirido pela rede social em 2015. No mês de setembro deste mesmo ano, a plataforma expandiu-se no Brasil. A ferramenta foi apresentada no youPIX CON, convenção no segmento de conteúdo digital realizada no MIS (Museu da Imagem do Som), em São Paulo (SP).

Por meio do Twitter Niche, as marcas ou empresas têm acesso à comunidade criativa de forma mais direta para elaborar ações que reforçam a importância de fornecer o conteúdo não só por meio da própria persona, mas também propagando-o por meio de quem tem relevância. De acordo com o próprio Twitter:

As marcas também estão buscando parcerias com indivíduos na esperança de gerar momentos que ressoam com as pessoas que estão tentando alcançar. O talento e a criatividade em todo o panorama da mídia é incrível, e nós esperamos que esta aquisição continua a inspirar as pessoas a criar grande conteúdo.

 

Audiência x relevância

Em muitos momentos, as redes sociais das marcas se concentraram em adquirir audiência. Agora, estes anunciantes esperam que estas pessoas sejam relevantes e possam consumir de forma mais acessível a cultura da marca e o próprio produto/serviço. E a análise das redes sociais, inclusive com ferramentas como o Twitter Niche, torna esta relação mais próxima.

Desenvolver estratégias ou utilizar uma ferramenta mais focada no engajamento do que no número de seguidores ou de fãs proporciona uma métrica mais real, voltada a pessoas que realmente gostam do assunto e do outro.

O resultado é que o anunciante pode contar com uma plataforma que irá segmentar seu assunto de acordo a audiência; o criador de conteúdo pode ganhar com aquilo que quer propagar ou no que acredita. A audiência, por sua vez, tem acesso a conteúdo mais qualificado, que passa por uma escolha/curadoria, com opiniões e informações segmentadas em seus assuntos de real interesse.

Business Intelligence: ontologia, semântica e análise de dados

* Este artigo é a segunda publicação sobre ontologia e business intelligence aqui no Dataísmo. O primeiro artigo foi “Business Intelligence e ontologia: definições e apontamentos”, e este segundo fala de aplicações, modelo semântico e análise de dados. 😸

 

Aplicações ontológicas em business intelligence
(Ou como os dados podem ser ontológicos)

Em business intelligence, analisar dados consiste em processar o que está acontecendo. Quando falamos em ontologia, falamos em método e em todo o caminho para processar esses dados.

Já utilizada em linguagens de programação, a ontologia considera cada dado como parte ou objeto para a formação de uma estrutura, como se fosse um código criado por meio de indivíduos e classes.

Em business intelligence existem duas formas de lidar com os dados: a informacional e a estrutural. Se, por um lado, a estrutural foca na ferramenta, no modo informacional podemos analisar esses dados extraídos.

Ao ser aplicada para a web, a ontologia passa pelas definições de “semântica” ou “significado”:

semântica

substantivo feminino

  1. ling estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais.
  2. ling num sistema linguístico, o componente do sentido das palavras e da interpretação das sentenças e dos enunciados.

 

Por significado, entende-se:

significado

substantivo masculino

  1. relação de reconhecimento, de apreço; valor, importância, significação, significância.
  2. m.q. SIGNIFICAÇÃO (‘representação mental’).

 

Depois de minerarmos os dados e começarmos a analisá-los, o próximo passo é a criação de KPIs (Key Performance Indicators, ou indicadores de desempenho).

 

KPIs e o significado dos dados

Para traçarmos os KPIs, podemos começar por perguntas que façam sentido para aquele projeto:

  • Quais métricas podemos analisar, ou o que pode ser medido?
  • Que ações podemos traçar a partir destes dados?
  • Estes dados respondem às minhas perguntas principais?
  • Estes dados são suficientes para a minha análise?
  • Qual a abordagem mais adequada para a minha análise?

O significado ontológico dos dados passa pela identificação do que é mais comum (padrões) e do que está entrando em evidência. Em outras palavras, seria a explicação de dados por meio de contexto e conhecimento:

Os conceitos e relacionamentos unidos são conhecidos como uma ontologia do modelo semântico que descreve conhecimento. Modelos semânticos permitem que os usuários façam perguntas da informação de uma forma natural e ajudar a identificar padrões e tendências desta informação e descobrir as relações entre peças diferentes de informações.

Dr. Mohammed Ahmed Turki AlSudairy na publicação Knowledge on demand approach using Business Intelligence and Ontology

 

Muito ainda precisa ser feito para desenvolvermos ferramentas cada vez mais inteligentes e que apresentem dados mais minerados, mas já é possível, hoje em dia, irmos direto para algumas etapas da análise de dados. É aí que entram a inteligência e os insights mais rápidos, acompanhando a velocidade das informações que produzimos ou observamos.

Business Intelligence e ontologia: definições e apontamentos

Não é novidade que, todos os dias, somos sobrecarregados de dados e informações. A transformação em conhecimento e sabedoria são os nossos insights, que consistem na análise do que foi apresentado e quais as oportunidades podem ser obtidas a partir deles. Em outras palavras, o trabalho da análise dos dados consiste na reflexão sobre o que foi obtido (cenário atual) e o que aquilo pode tornar-se (oportunidades, estratégias e busca por objetivos em seu negócio).

Se, por um lado, temos um mundo cada dia mais cheio de informações, por outro, nem sempre temos pessoas especializadas (ou dispostas) a analisar esse tipo de informação. E é aí que entra a importância metodológica e quase filosófica de aplicar a reflexão para saber sobre o que está sendo tratado e o que isso pode significar.

Definição e a essência da ontologia

Quando buscamos a análise, passamos por um período de mensuração, que inclui a classificação, que pode ser: a saúde da marca (se está mais positiva, negativa, apresenta neutralidade); categorias ou tags (palavras que representam temas ou assuntos) e o tipo da audiência para identificar o seu comportamento. Toda esta classificação acaba nos direcionando para vários campos. Um desses caminhos é a ontologia, que significa “o estudo do ser”.  

 

ontologia

substantivo feminino

  1. fil, segundo o aristotelismo, parte da filosofia que tem por objeto o estudo das propriedades mais gerais do ser, apartada da infinidade de determinações que, ao qualificá-lo particularmente, ocultam sua natureza plena e integral.

  2.  fil no heideggerianismo, reflexão a respeito do sentido abrangente do ser, como aquilo que torna possível as múltiplas existências [Opõe-se à tradição metafísica que, em sua orientação teológica, teria transformado o ser em geral num mero ente com atributos divinos.].

 

A ontologia foi bastante abordada pelo filósofo Martin Heidegger, escreve sobre o assunto indo um pouco além das primeiras definições de Aristóteles que consistem nas “classificações e interpretações”. Para Heidegger, existe “aquilo que é” e também “o que pode ser”. As coisas e as possibilidades. Dentro das possibilidades, existem diversos universos que podemos desenhar. O conceitos são filosóficos, mas não tão viajosos, pois eles podem ser aplicados. Se fôssemos resumir, para business intelligence a ontologia é bem prática e corresponde à nossa relação entre o dado (“o que é” e a informação/sabedoria (“o que pode ser”).

 

Aplicações da ontologia

 

A ontologia já é aplicada nas áreas de Tecnologia da Informação, Arquitetura/UX e especialmente em programação. É da base de linguagens como o Java e o CSS. Para alguns, é a tentativa de unir o “real” ao “virtual”, considerando cada dado como objeto e organizando-o para formar a cadeia de códigos. A divisão básica é composta de:

  • Indivíduos são os componentes básicos. Podem ser objetivos concretos ou abstratos. Ele compõe uma classificação de indivíduos.

 

  • Classes referem-se* a:

Um tipo definido pelo usuário que contém a “receita”, a especificação para os objetos, algo mais ou menos como o tipo inteiro contém o molde para as variáveis declaradas como inteiros. A classe envolve, associa, funções e dados, controlando o acesso a estes, defini-la implica em especificar os seus atributos (dados) e seus métodos (funções).

 

  • Toda classe possui um nome;
  • Possuem visibilidade, exemplo: public, private, protected;
  • Possuem membros como: Características e Ações.

 

* Com algumas informações da Fábrica de Software/Senac

 

Ontologia e business intelligence

A associação entre ontologia e business intelligence ainda é recente, mas já conseguimos encontrar alguns trabalhos interessantes sobre o assunto. Quando aplicamos esses conceitos, é importante separar o que se chama daquele conceito de business intelligence baseado nos códigos de programação da mais recente definição: o business intelligence como e criação de insights a partir dos dados.

 

Abordagem administrativa Abordagem tecnológica
Foco no processo de extração e pós coleta dos dados, incluindo processos externos de analisá-las para extrair informações relevantes. Focos no processo tecnológico que faz parte do processo (a ferramenta e o meio, se formos considerar

Com informações de Petrini and Pozzebon, 2003. Petrini and Pozzebon (2003)

 

Aqui, vamos abordar esta segunda definição, baseada na extração e análise de dados (data analysis). A ontologia, para a web, passa por alguns conceitos de semântica ou significado. Acompanhe o nosso próximo post, na quinta-feira, para saber mais sobre Ontologia, modelo semântico e business intelligence.

A prevenção de suicídio, o Facebook e a netnografia

2015-09-10

Artigo por Gio Sacche*

Pelo primeiro ano, a campanha #SetembroAmarelo ganha força no Brasil. Seu objetivo é dar visibilidade e fomentar a prevenção de um problema de saúde pública: a morte prematura causada pelo suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa tira a sua vida.

A Ju Dias e eu achamos que seria atual lembrar esse importante trabalho de prevenção ao suicídio pois hoje é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (World Suicide Prevention Day). No evento oficial da organização Internal Association of Suicide Prevention (IASP), especializada na luta, várias pessoas enviaram fotos de velas acesas em homenagem a pessoas que perderam ou para lembrar da discussão do assunto. As luzes são um símbolo de resistência e do que não pode se apagar: a vida. Ou, como diria a música do cantor Morrissey: “there is a light never goes out”. 😉

Há dois anos, o Facebook anunciou que se uniu ao grupo americano Save para ampliar a ação que a rede que fazia desde 2011, a prevenção de suicídio de seus usuários. O objetivo do Save é… salvar. :-)

E, aproveitando as informações disponíveis online, existe muito mais que pode ajudar as pessoas a não terem uma morte prematura!

A dor do suicídio é silenciosa, mas os números são gritantes

Segundo dados do grupo Save, o suicídio é a terceira maior causa de mortes entre jovens entre 15 e 24 anos. Anualmente, cerca de 780 mil suicídios são cometidos. E a taxa de suicídios cresceu 60% nos últimos 50 anos. De acordo com a Revista Mundo Estranho/Superintessante, até o fim de 2007, a média de suicídios ao redor do planeta chega à marca de uma morte a cada 30 segundos. E pior: estima-se que, para cada pessoa que comete suicídio, existem pelo menos outras 20 que tentaram, mas não conseguiram consumar o ato. Esses números levaram a Organização Mundial da Saúde a criar diversas ações, como a conscientização especial no dia 10 de setembro.

O importante trabalho da Save

O pilar da organização é lidar com sentimentos e alertas:

“Acreditamos que o suicídio é evitável e que a prevenção do suicídio funciona. A fim de cumprir a nossa missão e objetivos, nós usamos o modelo de saúde pública, juntamente com campanhas de mídia e educação para aumentar a consciência de suicídio. Nós usamos uma abordagem educativa para dissipar os mitos sobre o suicídio e permitir que os outros saibam sobre as realidades que o cercam. É o que o ex-Cirurgião Geral dos EUA Dr. David Satcher chama de “crise de saúde pública”.

 

Eles fornecem material especializado para espalhar informações e ajudar a desfazer o tabu do suicídio:

“Livros educativos para jovens e adultos estão disponíveis para os programas de prevenção da comunidade, escolas, profissionais de saúde, empresas e indivíduos envolvidos com a prevenção do suicídio. Essas ferramentas valiosas são uma excelente oportunidade para construir a conscientização da comunidade, bem como ajudar aqueles em necessidade”.

 

A parceria da Save com o Facebook e as suas implicações

A parceria com a rede social potencializa o trabalho de prevenção, pois o Facebook afirma que atualmente conta com 800 milhões de usuários ativos e mais de bilhão de perfis cadastrados. A rede social já trabalhava com a profilaxia de suicídio, mas baseando-se nas denúncias de amigos do potencial suicida. Com a união com o grupo Save, o Facebook mapeia as informações de suicidas com o intuito de traçar comportamentos semelhantes. O uso dos dados irá identificar potenciais suicidas e planejar ações para a prevenção de novos casos de jovens que, por ventura, desejam abreviar as suas vidas.

 

 

O cruzamento de dados da netnografia do Facebook no mapeamento

Atualmente, sabemos que as principais causas estão a depressão, bipoloridade, esquizofrenia, outras doenças psiquiátricas, vícios em drogas, em álcool e acontecimentos marcantes (com a perda de um ente querido). O estudo pode ser feito:

Levando-se em conta páginas que os usuários que cometeram suicídio curtiram;

– Palavras ou termos mais utilizados, mensagens de familiares e amigos (que possam conter as motivações que o indivíduo teve).

Geolocalização: centros psiquiátricos, grupos de ajuda, sucessivos check-ins em casa (o que significa que a pessoa não costuma sair com frequência, acompanhados de comentários agregados nos check-ins, do tipo “não quero sair”, “não há vida lá fora”).

– Acompanhamento do cotidiano da vítima.

 

Com o uso de algoritmos, o Facebook não precisa mais de denúncias de amigos e pessoas próximas quando uma pessoa demonstrar vontade de tirar a própria vida. A rede pode entrar em contato direto para poder prevenir o pior.

Para mim, é reconfortante saber que uma das redes mais populares tem interesse e usará as informações que os usuários confiam (no sentido de divulgar dados de seu cotidiano) para realizar um estudo tão importante.

Ao buscarmos os termos suicídio e Facebook, damo-nos conta de quantos casos são anunciados e descritos nas redes sociais e podem ser prevenidos com o diagnóstico precoce e tratamento correto. O que me deixa feliz é que para isso os pesquisadores utilizaram técnicas de netnografia para coleta desses dados e para a análise e que ela será em prol da vida humana.

 

* Gio Salles trabalha com números, mas é de humanas.
BI da DM9DDB, feminista e ciclista wannabe.

Twitter: @caragliogio
Facebook: Gio Sacche
Instagram: @giosacche

Data Strategy | Data Analysis

* Este artigo é a terceira publicação de uma série de posts sobre dados aqui no dataismo. O primeiro foi sobre Meta Dados e o segundo sobre Data Mining. Acompanhe-nos para ver mais sobre mais assuntos relacionados, como o Data Sharing, nas próximas publicações. 😉

 

Depois de cuidar dos dados, o próximo passo estratégico é a chamada “data analysis”, que consiste, assim como o nome mesmo já diz, na análise dos dados. É por meio dela que vamos gerar informação, conhecimento e, por fim, a sabedoria, também chamada de insights. 

Esses conceitos parecem, à primeira vista, a mesma coisa. E é comum confundirmos. Mas, como diria a música…

“Information is not knowledge (informação não é conhecimento)
Knowledge is not wisdom (conhecimento não é sabedoria)
Wisdom is not truth (sabedoria não é a verdade)
Truth is not beauty (verdade não é beleza)
Beauty is not love (beleza não é amor)
Love is not music (amor não é música)
Music is THE BEST (música é o melhor)”

(Frank Zappa)

 

 Para melhorar um pouco, se formos dividir em etapas, encontramos a chamada Pirâmide do Conhecimento, cujo caminho que mostra como os dados viram informação. A pirâmide é representada pelo DIKW, Data-Information-Knowledge-Wisdow, baseado no modelo cartesiano (criado com base nos princípios do filósofo Descartes), que consiste em uma evolução de [d]ata (dados), [in]formation (informação), [k]nowledge (conhecimento) e [w]isdom (sabedoria). Esse modelo, hoje em dia, é utilizado para várias áreas, que incluem pesquisas em tecnologia da informação até o marketing:

Pirâmide do Conhecimento ou DIKW

Pirâmide do Conhecimento ou DIKW

Dados ➳ elementos

Sinais, símbolos, um aglomerado de números sem significados. É aquilo que foi coletado.

Exemplo: dados brutos em um arquivo de Excel, o formato, a data, a hora, o tempo da coleta.

 

Informação ➳ organização

Informações são os dados estruturados.

Exemplo: um Excel com dados tabulados, divididos por categorias de sentimento, tags do monitoramento e por rede social.

 

Conhecimento ➳ contexto

Surge quando a informação ganha uso e significado, é sintetizado e pode ser aprendido.

Exemplo: gráficos que dividem estas informações de sentimento e as tags por tipo, cor, formato… representam um crescimento ou queda e dividem-se entre barras, gráficos de pizza para mostrar a representatividade do assunto, etc.

 

Sabedoria ➳ insights

São os chamados “dados acionáveis”, integrados, organizados e explicados e, o mais importante, trazem um aprendizado válido para aplicação e são entendidos pelas pessoas que têm acesso a essas informações.

Exemplo: os dados de sentimento e as tags indicam que a marca está melhor do que no mês passado. Porém, quando comparada ao mercado, está abaixo do esperado pelos fornecedores por apresentar menor aprovação que a concorrência e receber menos citações do que o esperado.

 

Para um analista de métricas, business intelligence, monitoramento e afins, o caminho para transformar os dados em informação e, posteriormente criar ações embasadas, é fundamental. Mas isso também vale para profissionais que lidam com estatísticas, como pesquisadores. Para obter algum insight, é necessário ver a sua amostra, o que ela diz. E é interessante ir além, focando não apenas no positivo, mas também na queda e nas alterações ao longo do período. É assim que podemos identificar se algo está bom para o seu padrão (comparando com os próprios resultados) ou está ruim (olhando para fora, seja um outro segmento da pesquisa, um outro assunto ou o mercado).

A análise só produz insights verdadeiros quando possui base, podendo ser argumentada e comprovada. É ao que muitos se referem quando dizem que “números que não mentem”. Na verdade, os números justificam, não é? Mas eles também podem ocultar ou favorecer uma ideia, dependendo do seu objetivo final. Se os resultados não foram tão bons ou a análise não saiu tão boa de primeira, vale a pena ver de novo. E, principalmente, como já disse o Zappa, música é mesmo o que nos resta de melhor. É só tentar entrar no ritmo. 😉
* Continue de olho no dataismo para acompanhar os próximos passos de uma estratégia de dados: Data Sharing. Acompanhe o Twitter e o Facebook para receber novas publicações em primeira mão.

Data Strategy | Data Mining

Data Mining ou mineração de dados

* Este artigo é a segunda publicação de uma série sobre conceitos sobre dados aqui no Dataísmo. O primeiro foi sobre Meta Dados. Acompanhe-nos para ver mais sobre mais assuntos relacionados, como Data Analysis e Data Sharing, nas próximas publicações. 😉

 

📊  Parte 2/3 > Data Mining ou “mineração de dados”

Após a primeira parte da coleta e armazenamento dos dados, é o momento de olhar para o que foi coletado e definir o que irá ou não entrar na pesquisa e/ou na apresentação. O processo de obter os dados e “minerá-los” é comumente chamado de Data mining e seu sentido original refere-se à forma de coleta de grandes dados, que passam pela extração, armazenamento, análise e estatística.

 

📊  Análise quantitativa

É durante o processo de Data Mining que ocorre a análise quantitativa. Este processo pode ser dividido em dois tipos. Um é a observação do “discret data”, com pequenas segmentações, cujo resultado é mais especializado;  o outro tipo é “continuous data”, cuja análise é contínua e os dados analisados tornam-se informação acionável.  É o momento de observar cada número, relevar a sua importância e começar, de fato, a analisar.

O Data Mining é fundamental pois atua no processo quantitativo que vai gerar conhecimento, a chamada análise quantitativa: interpretações e novos caminhos a partir de um aglomerado de números.

A partir daí os dados “saem para o mundo”. E é aí que entra a  performance e o planejamento, o monitoramento e a mensuração; o entendimento da organização de grafos (social network analysis); regras e responsabilidades e, ao final, os relatórios de performance.

Por último, e talvez o maior desafio na produção da análise dos dados, está gerar a inteligência, ou o Business Intelligence. Ele é composto dos goals x objetivos.

 

📊  Aplicação de Data Mining ou mineração de dados

Durante a aplicação de Data Mining, nem todos os dados coletados podem ganhar uma utilização, mas ainda assim fazem parte da pesquisa e são relevantes. Sua aplicação imediata não é o fator mais importante para deletar. Considerando que nem sempre os meios de obter as informações são baratos e muito menos rápidos, isso toma ainda mais importância. Durante a análise é comum que queiramos nos livrar de abas do Excel ou algum dado extra. Mas…

“Os dados armazenados são como as roupas em um armário; mesmo que não acessemos em dois anos, ainda não devemos jogá-los fora – e assim vale a pena lembrar durante formulação uma estratégia de dados”. (Mike Schiff)

 

* Continue de olho no dataismo para ver os próximos passos de uma estratégia de dados: Data Analysis e Data Sharing. Acompanhe o Twitter e o Facebook para receber novas publicações em primeira mão. :)

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